A Polícia Civil prendeu Fabio Bernardino da Silva em Austin, Nova Iguaçu, na segunda-feira (19). Ele é apontado como integrante da narcomilícia chefiada por Juninho Varão, grupo criminoso que impõe cobranças e rotina de medo a moradores da Baixada Fluminense.
Ação da Draco atinge ponto de apoio dos criminosos em Austin
Agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) localizaram o endereço após trabalho de inteligência. A casa vinha sendo utilizada como ponto de apoio estratégico para a quadrilha guardar armamentos e articular ações na Baixada.
No momento da abordagem policial, os agentes encontraram Fabio no local e apreenderam material bélico. Foram recolhidos uma pistola calibre 9 milímetros, um revólver calibre .38 com a numeração raspada, dois carregadores, 51 munições intactas e dois rádios transmissores.
Um segundo suspeito, identificado pela polícia como Caio Fernando de Souza Siqueira, também estava no imóvel durante o cerco. Ele percebeu a aproximação das viaturas, pulou muros residenciais e conseguiu escapar pelos fundos dos terrenos vizinhos.
O que já se sabe sobre a investigação
A investigação aponta que a organização criminosa é chefiada por Gilson Ingrácio de Souza Júnior, conhecido como Juninho Varão. O grupo adota o modelo de narcomilícia, aliando a exploração de taxas ilegais ao controle do tráfico de drogas em diferentes pontos de Nova Iguaçu.
O material apreendido em Austin foi levado para a sede da Draco-IE, na Cidade da Polícia, na Zona Norte da capital. Os aparelhos de rádio e os armamentos passam por perícia técnica para verificar se foram usados em homicídios recentes registrados no município.
A prisão de Fabio foi registrada como flagrante por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito, além da investigação formal sobre organização criminosa. A corporação informou que equipes continuam em diligências contínuas para localizar Caio Fernando, que segue foragido da Justiça.
Como a rotina dos moradores é afetada pela milícia
Quem vive e trabalha em Austin e regiões vizinhas sofre diariamente com a presença dos grupos armados. Moradores relatam com frequência a cobrança abusiva de taxas sobre pequenos comerciantes, motoristas de vans, entregadores de gás de cozinha e técnicos de sinal clandestino de internet.
A atuação violenta dessas quadrilhas costuma alterar a circulação do transporte alternativo e gerar sensação constante de insegurança nas ruas. Pequenos lojistas e donos de bares acabam repassando os custos da extorsão para o preço final de alimentos e mercadorias básicas da vizinhança.
As operações policiais na região buscam interromper o fluxo financeiro da quadrilha e recolher armas em circulação. Contudo, em dias de movimentação policial intensa ou confronto entre facções rivais, linhas de ônibus chegam a alterar itinerários e comércios fecham as portas mais cedo para evitar prejuízos.
Quem responde por isso na Baixada
O combate estrutural às narcomilícias na região de Nova Iguaçu é coordenado pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais, unidade especializada da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. A especializada mantém inquéritos abertos para desarticular as fontes de renda do bando de Juninho Varão.
No patrulhamento diário e pronto atendimento a ocorrências de violência ostensiva, o bairro de Austin é coberto pelo 20º Batalhão de Polícia Militar (Mesquita), responsável pelo policiamento em Nova Iguaçu e cidades vizinhas. Casos locais e registros gerais de roubo e extorsão também são atendidos pela delegacia distrital da área, a 58ª DP (Posse).
A Secretaria de Estado de Polícia Civil destacou que as incursões na Baixada continuam por tempo indeterminado. O objetivo é asfixiar financeiramente a cúpula da quadrilha e identificar imóveis usados para esconder armamento pesado e carros clonados.
Como denunciar de forma totalmente anônima
A colaboração da população é considerada peça fundamental para que as forças de segurança localizem esconderijos de armas e capturem foragidos como Caio Fernando. Qualquer informação que ajude a polícia pode ser repassada sem que o morador precise se identificar.
O Disque Denúncia do Rio atende 24 horas por dia pelo telefone central (21) 2253-1177. As ligações são completamente sigilosas e não há identificador de chamadas nos canais oficiais de acolhimento.
O cidadão também pode enviar informações em tempo real por meio do WhatsApp do Disque Denúncia, no número (21) 2253-1177, ou baixar o aplicativo gratuito “Disque Denúncia RJ”. Pelo app, é possível anexar fotos, vídeos e detalhes de locais de cativeiro ou depósitos de armas com garantia absoluta de preservação da identidade.















