A Polícia Civil prendeu em Duque de Caxias um homem apontado como o maior receptador de celulares roubados do Rio. A captura ocorreu após investigações sobre assaltos contra motoristas na Zona Sul da capital fluminense.
Esquema de receptação e golpes bancários na Baixada
Agentes da 15ª DP (Gávea) cumpriram o mandado na casa do suspeito, localizada na Baixada Fluminense. No imóvel, os policiais encontraram cerca de 30 celulares roubados, uma arma de fogo, munições e produtos caros comprados com cartões das vítimas, como três televisores e dois aparelhos de ar-condicionado.
As investigações começaram depois de uma sequência de roubos registrados nas imediações do Túnel Rafael Mascarenhas, que liga a Gávea a São Conrado. Os criminosos aproveitavam os horários de congestionamento para abordar motoristas parados no trânsito lento da região.
Um crime cometido no dia 25 de outubro ajudou a equipe policial a mapear o bando. Ao analisarem imagens de segurança e monitorarem transações bancárias realizadas no cartão da vítima, os agentes descobriram os responsáveis pelos golpes e chegaram até o imóvel em Caxias.
Como funcionava o esquema de compra e desmanche
De acordo com a Polícia Civil, o investigado pagava entre R$ 800 e R$ 1.200 por aparelho entregue pelos assaltantes. O valor dependia do modelo do telefone e, principalmente, do acesso aos dados pessoais da vítima. Aparelhos entregues com senha tinham um preço maior na negociação criminosa.
Com os telefones desbloqueados, o homem acessava contas e aplicativos bancários para esvaziar saldos, contratar empréstimos e realizar transferências. Os produtos adquiridos por fraude eram revendidos no comércio paralelo, enquanto os aparelhos acabavam desmontados para venda clandestina de peças e telas.
A polícia também identificou outro integrante do grupo, suspeito de recrutar os assaltantes de rua e fornecer armamento para as abordagens violentas. A prisão preventiva deste segundo investigado já foi solicitada à Justiça.
O homem detido em Duque de Caxias foi autuado em flagrante pelos crimes de roubo qualificado, porte ilegal de arma de fogo, receptação e associação criminosa. A polícia informou que ao menos dez vítimas já tiveram seus aparelhos identificados entre o material apreendido.
O que já se sabe sobre a Operação Rastreio
A ação faz parte da Operação Rastreio, uma iniciativa contínua da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro voltada para asfixiar o mercado ilegal de aparelhos móveis no estado. O foco é combater desde o assaltante na ponta até o comerciante que financia o crime organizado.
Segundo balanço recente divulgado pela corporação, a força-tarefa já recuperou mais de 13.500 celulares em território fluminense. Desse total, cerca de 6 mil telefones conseguiram retornar às mãos dos donos após perícia e conferência cadastral.
O balanço oficial da corporação aponta ainda que mais de 940 suspeitos foram presos desde o início da operação. As prisões incluem indivíduos flagrados em roubos de rua, receptadores em lojas de informática de fachada e integrantes de núcleos de fraudes financeiras na internet.
O que fazer se você foi vítima
Quem teve o aparelho levado por criminosos deve registrar a ocorrência imediatamente. O boletim pode ser feito em qualquer delegacia distrital ou por meio da Delegacia Online da Polícia Civil, no endereço institucional da corporação na internet.
Para facilitar a recuperação futura do aparelho, a vítima precisa informar o número do IMEI, que consta na caixa do produto ou na nota fiscal de compra. Com esse código de 15 dígitos, os agentes conseguem incluir o aparelho no sistema de buscas da Operação Rastreio.
Caso os policiais encontrem o equipamento, o proprietário é convocado diretamente pela delegacia responsável pela apreensão para fazer a retirada formal, mediante apresentação de documento com foto e comprovante de propriedade.
Como denunciar
Informações sobre pontos de desmanche de aparelhos, lojas que compram material sem nota fiscal ou esconderijos de criminosos podem ser repassadas anonimamente ao Disque Denúncia do Rio pelo telefone 2253-1177, que funciona 24 horas por dia.
A população também pode colaborar diretamente com a 15ª DP (Gávea), responsável por essa investigação, comparecendo à sede da unidade policial na Rua Marquês de São Vicente ou ligando para a central de atendimento da Polícia Civil. Nenhuma informação pessoal do denunciante é divulgada.














