A Polícia Civil realiza uma operação nesta quarta-feira contra a milícia de Juninho Varão em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O grupo cobrava taxas ilegais e ameaçava expulsar famílias de um condomínio residencial.
Esquema de extorsão e controle armado no Condomínio Jardim Guandu
Agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) saíram às ruas para cumprir mandados judiciais contra a quadrilha chefiada por Gilson Ingrácio de Souza Junior, o Juninho Varão. A ação mira a desarticulação de um esquema criminoso montado dentro do Condomínio Jardim Guandu.
As investigações apontam que nove pessoas foram identificadas por integrar a organização. O grupo mantinha uma rotina rigorosa de arrecadação financeira, com divisão fixa de tarefas, conferência de devedores e prestação de contas aos chefes do bando.
Quem atrasava ou se recusava a pagar as taxas impostas recebia ameaças de agressão física e de expulsão imediata do imóvel. A milícia também assumiu a administração formal do condomínio residencial para ter acesso irrestrito aos dados de cada morador.
Quem são os principais alvos da operação policial
A Justiça expediu dois mandados de prisão preventiva. Um dos alvos é Felipe Alves da Silva, conhecido pelos apelidos de Felipinho ou Portugal, apontado pelos agentes como o braço direito de Juninho Varão e chefe da cobrança das taxas.
O segundo mandado de prisão tem como foco Marcos Francisco dos Prazeres Júnior, o MJ. Segundo o inquérito, ele era o homem responsável por ir pessoalmente às portas das vítimas para fazer ameaças e intimidar as famílias.
Ao todo, os policiais também cumprem dez mandados de busca e apreensão em diferentes endereços ligados aos suspeitos. O objetivo é recolher cadernos de anotações, aparelhos celulares e armas usadas para coagir a vizinhança.
Policial militar da ativa é investigado por envolvimento
Entre os alvos das buscas está o 3º sargento da Polícia Militar Carlos Luis Torres Correia, conhecido como Carlão. Ele é lotado no 7º Batalhão de Polícia Militar (São Gonçalo) e teve a casa revistada com o apoio da Corregedoria Geral da Polícia Militar.
De acordo com a polícia, o militar usava a farda e o cargo público para aumentar o medo entre os moradores do residencial. Ele interferia diretamente na administração do condomínio e mantinha contato frequente com o comando armado da milícia.
A investigação apura se a influência do agente público facilitava o repasse dos valores e impedia que as vítimas procurassem a delegacia para prestar queixa formal sobre as extorsões.
Como denunciar a atuação de milicianos sem se identificar
Quem vive em áreas dominadas por grupos criminosos e sofre com cobranças abusivas pode denunciar de forma totalmente anônima. O principal canal no estado do Rio de Janeiro é o Disque Denúncia, pelo telefone (21) 2253-1177, que funciona 24 horas por dia.
Também é possível enviar informações, fotos ou vídeos pelo aplicativo do Disque Denúncia RJ ou pelo portal oficial do programa. Nenhuma informação pessoal do denunciante é gravada, e o sigilo das ligações é garantido por lei.
Informações sobre a atuação de agentes públicos em esquemas ilegais também podem ser repassadas à Corregedoria da PM pelo telefone (21) 2725-9098 ou presencialmente na sede do órgão, no Centro do Rio.
O que fazer se você for vítima de extorsão ou ameaça
Moradores ameaçados por milícias devem registrar a ocorrência formalmente. O boletim pode ser feito presencialmente em qualquer delegacia distrital da Baixada Fluminense ou diretamente na sede da Draco, na Cidade da Polícia, na Zona Norte da capital.
Para crimes de extorsão e ameaça, a Polícia Civil orienta levar comprovantes de pagamentos forçados, registros de mensagens e datas das abordagens. Não tente confrontar os suspeitos nem interromper pagamentos sem respaldo e orientação das forças de segurança.
A Delegacia Online da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro também recebe registros iniciais de ameaça pelo site oficial da corporação, servindo como ponto de partida para a abertura de medidas protetivas de urgência.















