A Polícia Civil interditou nesta quarta-feira os centros cirúrgicos de uma clínica de estética em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio. A unidade é investigada pela morte de três pacientes e por deixar pelo menos 25 pessoas com sequelas graves.
Investigação aponta mortes e procedimentos feitos por alunos sem supervisão
A ação foi batizada de Operação Por Elas e conduzida por agentes da Delegacia do Consumidor, a Decon. Segundo a polícia, o estabelecimento acumulava dezenas de queixas formais de pessoas que saíram de lá com mutilações, deformidades corporais e danos permanentes após intervenções estéticas.
As apurações policiais apontam um cenário crítico dentro das salas cirúrgicas. A investigação descobriu que alunos de cursos de pós-graduação em cirurgia plástica estavam realizando os procedimentos invasivos por conta própria, sem o acompanhamento presencial de um médico responsável habilitado.
A clínica já era um endereço conhecido da polícia fluminense. Em agosto, agentes já haviam estado no mesmo endereço de Laranjeiras durante uma ação anterior, ocasião em que apreenderam materiais cirúrgicos e remédios com o prazo de validade totalmente vencido.
O que já se sabe sobre o caso
O inquérito policial começou a partir do falecimento de três pacientes que passaram pela mesa de cirurgia da clínica. As famílias procuraram a polícia para relatar as complicações graves sofridas pelas vítimas logo após a alta ou ainda nas etapas imediatas aos procedimentos.
A partir desses primeiros registros, novos depoimentos começaram a surgir na delegacia. Até o momento, mais de 25 vítimas relataram problemas sérios de cicatrização, necrose de pele e deformidades físicas decorrentes de procedimentos realizados por profissionais sem treinamento adequado.
Com os mandados de busca e apreensão cumpridos nesta quarta-feira, a Decon determinou a interdição imediata de todas as salas onde ocorriam as cirurgias. A polícia busca agora apreender prontuários médicos, contratos de prestação de serviço e documentação de equipe técnica para definir a responsabilidade criminal de cada envolvido.
Como denunciar clínicas clandestinas ou abusos médicos
Quem suspeitar de irregularidades sanitárias, profissionais sem diploma ou atendimentos em locais sem licença pode procurar os canais de denúncia anônima do estado. Não é preciso se identificar para registrar uma suspeita.
- Disque Denúncia: Ligue para o número (21) 2253-1177. O serviço atende em qualquer dia e horário, garantindo o anonimato total da ligação.
- WhatsApp do Disque Denúncia: Pelo número (21) 2253-1177, é possível mandar fotos de receitas, mensagens de clínicas e comprovantes de atendimento.
- Vigilância Sanitária do Município: Ligue para o número 1746 ou use o site da Prefeitura do Rio para pedir fiscalização sobre a higiene e alvará do espaço.
O que fazer se você foi vítima de erro ou mutilação
Se você passou por atendimento nesta clínica de Laranjeiras ou em outro estabelecimento e teve complicações graves de saúde, o primeiro passo é buscar socorro em uma unidade hospitalar e documentar tudo. O registro formal é essencial para responsabilizar os culpados.
Compareça à sede da Decon, localizada na Cidade da Polícia, na Rua Bernardo de Vasconcelos, 277, em Benfica, ou vá até a delegacia de polícia do seu bairro. Leve prontuários, fotos das lesões, contratos assinados, comprovantes de pagamento e receitas médicas.
O boletim de ocorrência também pode ser iniciado pela internet, através da Delegacia Online da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Além da esfera criminal, o paciente pode protocolar uma representação ética diretamente no Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, o Cremerj.
Quem responde pelas irregularidades
O caso está sob responsabilidade direta da delegada titular e dos investigadores da Decon. A especializada informou que a apuração segue em andamento para verificar a conduta dos gestores da empresa, dos professores do curso e dos pós-graduandos envolvidos.
Os envolvidos podem responder por crimes contra as relações de consumo, lesão corporal culposa ou dolosa, exercício ilegal da medicina e homicídio, a depender da participação de cada um no atendimento às vítimas. Os centros cirúrgicos seguem lacrados por ordem policial.














