Polícia faz operação na Maré contra facção que controla serviços básicos

Drogas encontradas em operação na Maré

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou uma operação na Maré nesta segunda-feira (5), visando desarticular a atuação de uma facção criminosa que explora serviços essenciais à população no Parque União, parte do Complexo da Maré, na Zona Norte da cidade. A ação mobilizou equipes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).

De acordo com informações repassadas pela Polícia, o grupo atua de forma sistemática impondo taxas e monopólios em serviços como internet, TV a cabo clandestina, fornecimento irregular de água e gás, além de transporte alternativo. Esses serviços, que deveriam estar sob responsabilidade legal de concessionárias e órgãos públicos, estariam sendo explorados pela organização como forma de lucro e controle territorial.

Outro foco da operação é apurar denúncias sobre um esquema de lavagem de dinheiro liderado por chefes do tráfico local. A suspeita é que os criminosos utilizem empresas e comércios — tanto dentro quanto fora da comunidade — para movimentar grandes quantias de dinheiro ilícito. A apuração está sendo feita com base em dados da inteligência policial e cruzamento de informações financeiras.

Durante a ação, os agentes encontraram e apreenderam uma quantidade ainda não especificada de maconha e lança-perfume, além de materiais usados na produção de entorpecentes. A operação segue em andamento.

Nas redes sociais, moradores relataram ouvir barulhos de tiros durante a chegada das equipes policiais, gerando tensão e insegurança. Até o momento, não há registro oficial de feridos ou mortos.

Como reflexo da operação, duas escolas estaduais suspenderam as aulas nesta segunda. Além disso, três unidades de saúde da rede pública que atendem moradores da região — entre clínicas da família e centros municipais — também interromperam os atendimentos ou cancelaram atividades externas.

A presença da facção no controle de serviços básicos tem sido tema recorrente de investigações na capital fluminense. Em muitos casos, os moradores são coagidos a aceitar os serviços clandestinos, sendo proibidos de contratar fornecedores regulares.

A Polícia Civil informou que novas diligências devem ocorrer ao longo da semana, com o objetivo de localizar os responsáveis pelo esquema de exploração e lavagem de dinheiro. As investigações também devem levar à identificação de empresas e laranjas utilizados para movimentar os recursos da facção.

Casos como esse evidenciam a fragilidade da presença do Estado em áreas dominadas por facções criminosas, onde até serviços fundamentais são capturados por interesses ilegais. A operação marca mais uma tentativa de enfraquecer essas estruturas e devolver à população o acesso digno e seguro aos seus direitos básicos.

Limpatech