A Polícia Civil e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro deflagraram uma operação contra um esquema do Comando Vermelho que impunha monopólio na venda de gás de cozinha, elevando preços e coagindo comerciantes e moradores de comunidades cariocas.
As investigações conjuntas apontam que a facção proibia distribuidoras regulares de circularem livremente em diversas regiões dominadas, obrigando os moradores a comprarem apenas de depósitos controlados ou autorizados pelo crime organizado, com cobrança de sobretaxas ilegais.
Ataque direto ao esquema financeiro da facção no comércio popular
A ofensiva mira desarticular a estrutura financeira construída pelo tráfico para lucrar em cima de um item básico na rotina do trabalhador. Segundo os promotores de Justiça e os delegados à frente do caso, os criminosos ameaçavam entregadores formais e expulsavam comerciantes que não aceitavam pagar taxas periódicas ou que vendiam o botijão por valores menores do que a tabela imposta pela organização criminosa.
Com essa prática criminosa, as famílias das áreas periféricas acabavam pagando até 30% a mais pelo botijão de treze quilos em relação aos depósitos regulares do asfalto. A retenção forçada do comércio de gás também gerava desabastecimento planejado, forçando os moradores a submeterem-se às exigências diárias do grupo para conseguir cozinhar em casa.
O que já se sabe sobre a apuração
De acordo com a Polícia Civil, os mandados de prisão e de busca e apreensão focam em gerentes da facção e em comerciantes que operavam como laranjas do grupo. O trabalho de inteligência mapeou depósitos clandestinos que estocavam botijões sem nenhuma segurança técnica, colocando vizinhos e moradias em risco constante de acidentes e explosões.
Vídeos e escutas autorizados pela Justiça mostraram a dinâmica da intimidação contra motoristas de caminhão de entrega nas entradas dos bairros atingidos. A polícia ainda não informou o total exato de bens confiscados nem a lista com todos os nomes dos investigados, já que parte das diligências segue em andamento para localizar outros envolvidos na lavagem do dinheiro arrecadado.
Como fica a rotina de quem mora nas áreas afetadas
Para quem vive nessas regiões, a atuação das autoridades busca restabelecer a concorrência livre e garantir a entrada de serviços públicos essenciais e de distribuidoras formais credenciadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A presença reforçada de viaturas nas imediações dos acessos visa coibir represálias contra pequenos estabelecimentos locais.
Moradores relatam que, com a restrição forçada nos últimos meses, a entrega em domicílio era cortada quando havia desavenças ou operações, forçando as pessoas a transportarem botijões pesados a pé por vielas e escadarias. As equipes policiais permanecem patrulhando os acessos para permitir a reabertura segura do comércio de vizinhança.
Quem responde por isso
O inquérito está sob responsabilidade das delegacias especializadas da Polícia Civil, com suporte dos grupos de atuação integrada do MPRJ. O Ministério Público destacou que os alvos respondem pelos crimes de organização criminosa, extorsão, concorrência desleal e crimes contra a ordem econômica.
Até a publicação desta reportagem, a defesa dos suspeitos que já foram identificados não havia emitido declaração formal. As instituições estaduais afirmaram que novos relatórios financeiros serão enviados aos órgãos competentes para pedir o bloqueio de contas bancárias e imóveis adquiridos com os valores cobrados da população.
Como denunciar com segurança
Informações que ajudem as autoridades a localizar depósitos clandestinos ou identificar criminosos que exigem cobrança ilegal na venda de gás podem ser repassadas de forma anônima. A população não precisa se identificar em nenhum canal de apoio comunitário.
- Disque Denúncia do Rio de Janeiro: telefone (21) 2253-1177, com atendimento 24 horas por dia, 7 dias por semana.
- WhatsApp do Disque Denúncia: (21) 2253-1177.
- Polícia Militar: acione o telefone 190 caso presencie ameaças imediatas ou abordagens a entregadores em via pública.
- Registro de extorsão ou coação: o cidadão pode procurar a delegacia de polícia civil mais próxima de seu bairro ou fazer o primeiro relato através da Delegacia Online da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (dedic.pcerj.rj.gov.br).















