Polícia do Rio mira golpe do site falso de faculdade que engana alunos

A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) deflagrou nesta quarta-feira (23) a Operação Espelho no Rio de Janeiro contra um esquema de sites falsos de faculdades que cobrava taxas indevidas de estudantes via Pix.

A fraude usava o nome e a identidade visual de marcas conhecidas do grupo educacional YDUQS, como as faculdades Estácio de Sá e Ibmec, para enganar os universitários com promessas de prêmios e descontos na mensalidade. As vítimas acabavam fornecendo dados pessoais e transferindo dinheiro para os criminosos sem perceber que estavam em uma página clonada.

Operação Espelho combate fraude com sites falsos de universidades

A investigação da Polícia Civil começou após a própria rede de ensino identificar o uso indevido da marca e registrar uma notícia-crime na delegacia especializada. Os agentes da DRCI mapearam a rede e identificaram seis endereços eletrônicos falsos criados para aplicar o golpe: “estaciofaculdade.com.br”, “estaciobrasil.com.br”, “estaclo.com.br”, “estaclo.com”, “alunoibmec.com” e “siaidomed.com”.

Com as informações reunidas, a Justiça do Rio de Janeiro autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Espírito Santo, onde moram os suspeitos de operar a fraude digital. O objetivo da ação policial é apreender computadores, celulares e documentos que ajudem a identificar outros envolvidos e descobrir o valor total movimentado pela quadrilha.

Como funcionava o esquema contra os estudantes

Os golpistas utilizavam a técnica conhecida como phishing, quando uma página falsa reproduz quase perfeitamente a aparência de um portal oficial para enganar o visitante. Nas páginas clonadas, os criminosos ofereciam vantagens atraentes para atrair a atenção dos alunos do Rio de Janeiro. Entre as promessas estavam brindes como notebooks, viagens de formatura e descontos generosos nas parcelas mensais do curso.

Para garantir o benefício ou a suposta oferta, o estudante era orientado a preencher um cadastro completo com seus dados pessoais e realizar o pagamento imediato de uma taxa de administração. Os valores eram cobrados exclusivamente via Pix, utilizando chaves de empresas intermediadoras de pagamento. Após a transferência, o dinheiro desaparecia e o benefício prometido nunca era entregue ao universitário.

O que a Polícia Civil já descobriu sobre o caso

O rastreamento das transações bancárias revelou que o dinheiro pago pelas vítimas passava por intermediárias de pagamentos instantâneos antes de chegar a duas empresas de fachada. A análise das contas bancárias mostrou um volume atípico de transferências com descrições genéricas, como “rematrícula” e “recarga”, além de dezenas de solicitações de devolução de dinheiro feitas por alunos que perceberam a fraude logo após o pagamento.

O cruzamento dos dados digitais e bancários permitiu à polícia identificar um homem chamado Wallace da Rocha Gomes como beneficiário direto do dinheiro roubado. Segundo os investigadores, ele tentou realizar o saque dos valores roubados utilizando uma chave Pix cadastrada no seu próprio CPF. A especializada investiga os crimes de estelionato e crime contra a propriedade intelectual.

Como identificar se o site da sua faculdade é falso

Para evitar cair em golpes do tipo phishing, o estudante precisa ficar atento ao endereço digitado no navegador de internet. Sites oficiais de grandes instituições de ensino costumam usar domínios institucionais e nunca usam variações estranhas com erros de digitação, como a troca de letras no nome da empresa. Se notar qualquer letra diferente ou endereço incomum, não faça login nem digite suas senhas.

Outro ponto de atenção é a forma de pagamento exigida pela página. Instituições de ensino tradicionais disponibilizam boletos e pagamentos via portal do aluno autenticado com senha própria, e não em links externos compartilhados por mensagens de texto, redes sociais ou anúncios patrocinados. Desconfie imediatamente de cobranças de taxas extras para liberação de prêmios ou descontos exigidos em pagamentos rápidos por Pix.

O que fazer se você foi vítima do golpe no Rio

O estudante que acabou caindo na fraude e realizando a transferência deve agir rapidamente para tentar reaver o dinheiro cobrado indevidamente. O primeiro passo é entrar em contato com o seu próprio banco e solicitar a abertura de um procedimento de contestação por fraude através do Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix. Esse pedido bloqueia temporariamente os valores na conta do destinatário caso ainda haja saldo disponível.

Em seguida, é fundamental reunir todos os comprovantes da transação, prints do site falso, conversas de mensagens e o histórico de navegação. Com esses documentos em mãos, a vítima pode registrar o Boletim de Ocorrência na Delegacia Eletrônica da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro ou comparecer à delegacia mais próxima do seu bairro. Esse registro ajuda as autoridades a mapear novas contas usadas pela quadrilha.

Como denunciar fraudes pela internet no RJ

Quem tiver informações que ajudem a polícia a localizar golpistas de crimes virtuais pode colaborar de forma totalmente anônima. O Disque Denúncia do Rio de Janeiro atende pelo telefone (21) 2253-1177 e funciona durante 24 horas por dia, sete dias por semana. Não é preciso se identificar para repassar informações sobre endereços, suspeitos ou dados bancários usados no esquema.

Também é possível registrar a denúncia diretamente na sede da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), localizada na Cidade da Polícia, na Avenida Dom Hélder Câmara, número 2066, no bairro do Jacarezinho, Zona Norte do Rio. A unidade especializada é responsável por investigar crimes cibernéticos, invasões de dispositivos e fraudes financeiras praticadas pela internet no estado.

Foto: R7 Rio (raspagem)

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