Moradores e frequentadores do Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio de Janeiro, estão indignados com o resultado de podas de árvores realizadas recentemente em vias movimentadas do bairro. A retirada excessiva de galhos e folhas deixou trechos inteiros das ruas Lineu de Paula Machado e Cesário Alvim totalmente sem sombra, transformando a paisagem local e aumentando o desconforto nos dias quentes.
As intervenções urbanas deixaram diversos galhos cortados e tocos pelo caminho, o que levantou críticas sobre a agressividade dos cortes efetuados na vegetação. A principal reclamação de quem passa pela região diariamente é a perda imediata da proteção natural contra o sol forte, além do impacto visual negativo em vias historicamente conhecidas por serem bastante arborizadas.
Cortes drásticos em árvores do Jardim Botânico geram revolta e alteram rotina do bairro
O volume das podas chamou a atenção da vizinhança nas últimas semanas, especialmente na Rua Lineu de Paula Machado, uma das principais vias de ligação do bairro. Na Rua Cesário Alvim, a situação se repetiu, com árvores perdendo praticamente toda a copa. A alteração drástica foi registrada e compartilhada por moradores em redes sociais, gerando um intenso debate sobre como o serviço público vem sendo executado na capital fluminense.
Especialistas em meio ambiente e paisagismo alertam que intervenções severas podem comprometer a saúde das plantas. A poda em ambiente urbano deve ser feita de forma planejada, visando apenas à adaptação dos galhos jovens às fiações e estruturas ao redor, sem remover a capacidade da árvore de gerar sombra ou manter sua estrutura viva. Quando o corte elimina toda a copa, a árvore sofre um estresse severo, ficando vulnerável a pragas e ao ressecamento.
Outro ponto crítico levantado por moradores e frequentadores é o conflito constante entre a arborização urbana e a rede de distribuição de energia elétrica. Em muitas situações, os cortes são realizados de forma emergencial ou preventiva para evitar que galhos atinjam os fios de alta e média tensão, o que faz com que a segurança da fiação seja priorizada em detrimento da preservação da vegetação e do bem-estar da população.
Como fica a região atingida pelas podas
Para quem circula a pé, faz atividades físicas ou passeia com animais de estimação no Jardim Botânico, a perda das copas mudou a rotina de uso das calçadas. Sem a proteção das folhas, os pedestres enfrentam temperaturas mais altas no solo e na iluminação direta do sol, o que reduz drasticamente o conforto térmico nas vias afetadas durante o dia.
A fauna local também é prejudicada pela remoção repentina da vegetação. Passarinhos e pequenos animais que usam as árvores da Zona Sul como abrigo e fonte de alimento perdem seu habitat natural de forma brusca. A expectativa dos moradores é que a prefeitura revise os critérios adotados para as próximas intervenções na região, evitando novos desgastes na cobertura vegetal do bairro.
Quem responde por isso na cidade do Rio
A responsabilidade pela gestão e poda das árvores em áreas públicas da capital é da Companhia Municipal de Limpeza Urbana, a Comlurb, que atua em conjunto com a Fundação Parques e Jardins para avaliar a saúde das espécies. No entanto, quando há risco iminente de interferência na fiação elétrica, a concessionária de energia Light também realiza cortes preventivos nos pontos de contato com os cabos.
Procuradas para esclarecer os motivos das podas drásticas nas ruas Lineu de Paula Machado e Cesário Alvim, as autoridades e concessionárias locais não detalharam até o momento o laudo técnico que justificou a extensão dos cortes realizados. A legislação municipal prevê que a poda deve ser estritamente técnica, preservando ao máximo a estrutura das árvores maduras.
Como solicitar ou denunciar serviços de poda no Rio
Moradores que identificarem árvores com risco de queda, galhos tocando a fiação ou que queiram denunciar podas irregulares e mutilações podem acionar a Prefeitura do Rio de Janeiro pelos canais oficiais de atendimento. O registro de chamados ajuda a direcionar vistorias técnicas e fiscalizar a atuação de equipes de campo.
- Central de Atendimento ao Cidadão: telefone 1746 (funciona 24 horas por dia).
- Aplicativo e Site: App 1746 Rio ou pelo portal 1746.rio.gov.br.
- Emergências com fiação elétrica: Light pelo telefone 0800 021 0196 ou WhatsApp (21) 99986-7444.
- O que informar no chamado: endereço completo com número aproximado, ponto de referência e fotos do local afetado.
O que fazer se você presenciar uma poda irregular
Caso o cidadão presencie uma equipe realizando cortes que pareçam excessivos ou desautorizados na rua, é possível solicitar a identificação da equipe e a ordem de serviço da intervenção. Caso haja suspeita de crime ambiental ou destruição injustificada da vegetação pública, o fato pode ser comunicado aos órgãos de fiscalização ambiental.
As denúncias de crimes contra o meio ambiente na capital e na Baixada Fluminense podem ser encaminhadas diretamente ao Linha Verde, programa do Disque Denúncia voltado exclusivamente para questões ambientais. O atendimento é anônimo e atua no combate ao desmatamento urbano e agressões à flora local.
- Linha Verde (Disque Denúncia): Telefone 0300 253 1177 ou (21) 2253-1177.
- Aplicativo: Disque Denúncia RJ.
- Atendimento: 24 horas por dia, com garantia de sigilo absoluto.















