Um policial militar participava diretamente de reuniões convocadas por milicianos em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, com a função de intimidar moradores e comerciantes. A informação foi confirmada por delegada responsável pelas investigações sobre o avanço de grupos armados na região.
Policial militar atuava para impor medo em reuniões da milícia
Segundo a apuração da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, a presença do agente fardado ou identificado como policial servia como ferramenta de coerção psicológica. O objetivo central era impedir qualquer resistência da comunidade contra a cobrança de taxas ilegais e imposição de serviços clandestinos.
As investigações apontam que esses encontros eram realizados periodicamente em diferentes bairros do município da Baixada Fluminense. Nas reuniões, os paramilitares definiam os valores cobrados pelo suposto serviço de segurança, além de controlar a venda de botijões de gás, fornecimento de sinal de internet e transporte alternativo por vans.
A autoridade policial destacou que a presença de um agente de segurança pública nesses encontros quebrava a capacidade de reação das vítimas. Os moradores temiam represálias imediatas caso buscassem ajuda formal ou se recusassem a efetuar os pagamentos exigidos semanalmente pelos criminosos.
O envolvimento de agentes de segurança em estruturas paramilitares na Baixada Fluminense é alvo constante de apurações da Corregedoria Geral da Polícia Militar e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público. A identificação dos envolvidos faz parte de uma frente mais ampla para desarticular os braços financeiros e operacionais das quadrilhas.
O que já se sabe sobre o caso
Os inquéritos apontam que o grupo armado buscava expandir o domínio territorial sobre pequenas comunidades e loteamentos de Nova Iguaçu. As reuniões funcionavam como uma espécie de tribunal ou prestação de contas forçada, onde regras de convivência e cobranças eram impostas de forma sumária.
De acordo com os relatos obtidos durante a investigação, o policial militar investigado comparecia aos locais para demonstrar respaldo armado e institucional à quadrilha. Testemunhas ouvidas em sigilo relataram que o medo de retaliação impedia a procura por delegacias locais no primeiro momento.
O caso segue em andamento na delegacia especializada, que trabalha na coleta de provas materiais, identificação de outros possíveis agentes públicos cooptados pelo bando e mapeamento dos pontos de arrecadação financeira do grupo criminoso.
Como denunciar a atuação de milicianos
Quem tiver informações sobre reuniões clandestinas, extorsões praticadas por milicianos ou desvio de conduta de agentes de segurança pode recorrer aos canais oficiais de denúncia anônima do Estado do Rio de Janeiro.
O principal canal é o Disque Denúncia, disponível pelo telefone (21) 2253-1177. O serviço funciona 24 horas por dia, com sigilo absoluto garantido pela legislação estadual, não sendo necessário fornecer nenhum dado pessoal durante o atendimento.
Além do telefone fixo, o cidadão pode enviar relatos, fotos ou vídeos através do aplicativo oficial do Disque Denúncia RJ ou pelo portal disquedenuncia.org.br. Todas as pistas recebidas são encaminhadas diretamente para as delegacias especializadas encarregadas dos inquéritos.
O que fazer se você foi vítima de extorsão
Moradores e pequenos comerciantes que sofrem cobranças indevidas de grupos armados podem registrar ocorrência diretamente na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (DRACO), localizada na Cidade da Polícia, na Rua Bernardo de Vasconcelos, 745, no Jacarezinho, Zona Norte do Rio.
O boletim de ocorrência também pode ser iniciado por meio da Delegacia Online da Polícia Civil, no endereço dedic.pcerj.rj.gov.br, desde que o relato envolva crimes sem violência física imediata. Para casos urgentes com ameaça iminente à vida, o contato imediato deve ser feito com o número 190 da Polícia Militar.
Para denunciar agentes públicos envolvidos em desvios éticos ou crimes, a Corregedoria Geral da Polícia Militar mantém plantão na Rua Evaristo da Veiga, no Centro do Rio, além de receber demandas pela Ouvidoria da Polícia Militar por formulário eletrônico e telefone institucional.














