PM reformado que atirou em universitário vira réu

Carlos Alberto de Jesus

A Justiça do Rio aceitou a denúncia contra o PM reformado que atirou no estudante universitário Igor Melo de Carvalho e no motociclista de aplicativo Thiago Marques Gonçalves. Carlos Alberto de Jesus, autor dos disparos, se tornou réu por tentativa de homicídio qualificado.

O caso aconteceu em fevereiro deste ano, quando Igor havia terminado um dia de trabalho como garçom e solicitou uma corrida por aplicativo. Durante o trajeto, ele e Thiago foram perseguidos por Carlos Alberto, que efetuou disparos e atingiu o universitário, que cursa jornalismo.

Em depoimento, o policial alegou que sua esposa, Josilene da Silva Souza, teria apontado a dupla como suspeita de roubar o celular dela. Com base nessa informação, ele decidiu agir por conta própria, atirando contra os dois jovens.

Após o ocorrido, Igor e Thiago chegaram a ser presos injustamente. No entanto, as investigações da polícia descartaram qualquer envolvimento da dupla com o suposto roubo. A análise de imagens e depoimentos levou à liberação dos dois, que foram considerados inocentes.

O estudante Igor Carvalho sofreu ferimentos graves, incluindo a perda de um rim devido ao disparo. Já o mototaxista escapou sem lesões mais sérias, mas ambos relataram trauma psicológico decorrente da abordagem violenta.

A mulher do PM, Josilene Souza, também foi denunciada pelo Ministério Público por falso testemunho, já que sua declaração foi usada como justificativa para a ação violenta do marido. A acusação aponta que ela mentiu ao afirmar que os dois homens seriam os assaltantes.

Com a aceitação da denúncia, o PM reformado que atirou responderá por tentativa de homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e por recurso que dificultou a defesa das vítimas. Ele poderá ser julgado em breve, caso o juiz responsável decida levar o caso a júri popular.

A defesa do acusado ainda não se manifestou publicamente. Igor e Thiago, por sua vez, vêm recebendo apoio de movimentos sociais e estudantis, que cobram justiça e responsabilização dos envolvidos.

Limpatech