Policial militar investigado por suspeita de ligação com milícia atuou nas campanhas de deputados eleitos no Rio

Segundo reportagem do Metrópoles, PM foi alvo de operação da Polícia Civil em Nova Iguaçu e participou das campanhas de Felipinho Ravis e Juninho do Pneu

Uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro colocou em evidência a atuação de um policial militar que participou das campanhas eleitorais de dois deputados eleitos no estado. Carlos Luis Torres Correia, conhecido como “Carlão”, foi alvo de um mandado de busca e apreensão nesta quarta-feira (14), durante uma operação contra a atuação de milicianos em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

De acordo com reportagem publicada pelo portal Metrópoles, por meio da coluna do jornalista Tácio Lorran, o policial é investigado por suspeita de integrar um grupo criminoso associado à milícia de Juninho Varão, apontada como responsável por ameaçar moradores e comerciantes do Condomínio Jardim Guandu.

As investigações indicam que o grupo exigia pagamentos de taxas ilegais de segurança, que movimentariam entre R$ 80 mil e R$ 100 mil mensalmente. Segundo as informações divulgadas, Carlão exerceria influência na administração do condomínio e manteria contato direto com integrantes da organização investigada.

Ligação com campanhas eleitorais chama atenção

Um dos pontos que mais chamaram a atenção na reportagem foi a participação do policial militar nas campanhas dos deputados Felipinho Ravis (PP) e Juninho do Pneu (PSDB), ambos eleitos no Rio de Janeiro.

Segundo o Metrópoles, Carlão atuou diretamente nas atividades eleitorais realizadas em Nova Iguaçu, aparecendo em vídeos e registros de ações de panfletagem, mobilização de apoiadores e eventos políticos.

O policial é lotado no 7º Batalhão da Polícia Militar, em São Gonçalo, mas mantinha atuação política em Nova Iguaçu. A reportagem também informa que ele disputou uma vaga na Câmara Municipal em 2024, pelo Solidariedade.

A participação de um policial investigado por suspeita de envolvimento com milícia em campanhas eleitorais levanta questionamentos sobre os critérios de escolha de colaboradores e a necessidade de transparência nas relações políticas.

É importante destacar, entretanto, que a atuação de Carlão nas campanhas não comprova envolvimento dos parlamentares com atividades criminosas. A reportagem apresentada não informa que Felipinho Ravis ou Juninho do Pneu sejam investigados nessa operação.

Policial nega envolvimento com organização criminosa

Após a divulgação das informações, Carlão utilizou suas redes sociais para negar qualquer participação em atividades de milícia. Ele afirmou que está colaborando com as investigações e rejeitou as acusações relacionadas ao grupo criminoso.

O caso amplia o debate sobre a presença de agentes de segurança pública em atividades político-eleitorais e sobre a necessidade de apuração rigorosa de possíveis vínculos entre organizações criminosas e pessoas com atuação no cenário político.

Até o momento, as informações divulgadas dizem respeito a uma investigação em andamento, sem comprovação definitiva de responsabilidade criminal do policial.

Segundo o Metrópoles, a Polícia Militar foi procurada, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem.

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