PM atira e mata mulher em suposto surto psicótico em Pirituba

Uma mulher apontada como estando em surto psicótico morreu após ser baleada por um policial militar nesta quinta-feira (15/10), no Parque São Domingos, região de Pirituba, na zona norte paulistana.

Ação policial termina com mulher morta a tiros em rua de Pirituba

O caso aconteceu em uma via pública do Parque São Domingos, bairro residencial situado no distrito de Pirituba. Moradores registraram em vídeo a abordagem realizada pelos policiais militares que atendiam a ocorrência na rua.

Nas imagens gravadas por vizinhos, a vítima aparece caminhando pela via em direção à equipe policial com um objeto ainda não especificado em uma das mãos. Ao se aproximar dos agentes, um dos policiais efetua disparos de arma de fogo diretamente contra ela.

A mulher caiu imediatamente no asfalto após ser atingida pelo tiro. Em seguida, as imagens mostram que um dos agentes se aproxima e chuta o objeto que ela segurava para longe do corpo, antes de isolar o perímetro.

O que já se sabe sobre a dinâmica da ocorrência

Relatos preliminares de testemunhas apontam que a vítima estaria enfrentando um episódio grave de crise psiquiátrica no momento da abordagem. A identidade da mulher não foi divulgada oficialmente pelas autoridades até o momento.

As imagens de câmeras de celular mostram que a aproximação da mulher ocorreu em plena luz do dia, em uma rua com circulação de pedestres e veículos. Não foi confirmado formalmente pela perícia se o objeto que a vítima carregava se tratava de uma arma branca ou de outro utensílio doméstico.

O socorro médico chegou a ser acionado para o endereço, mas o óbito foi constatado ainda no local dos disparos. A área precisou ser isolada para os trabalhos do Instituto de Criminalística e a realização do laudo pericial.

Quem responde por isso e como tramita a apuração

O caso segue para registro e apuração formal da Polícia Civil do Estado de São Paulo e da Corregedoria Geral da Polícia Militar, que deve instaurar um Inquérito Policial Militar para averiguar a conduta do agente.

A investigação criminal deve analisar se houve cumprimento dos protocolos operacionais da corporação para contenção de pessoas em crise de saúde mental e o uso escalonado da força. O armamento utilizado pelo policial foi recolhido para os exames balísticos de praxe.

Depoimentos dos policiais envolvidos, de testemunhas oculares e dos familiares da vítima serão colhidos pelo delegado responsável para esclarecer o contexto dos chamados feitos via telefone 190 antes da chegada da viatura.

Como denunciar abusos ou pedir atendimento em emergências

Moradores que testemunharem episódios de violência, irregularidades ou excessos cometidos por agentes públicos podem acionar os canais independentes de fiscalização para formalizar queixas de forma totalmente sigilosa.

  • Ouvidoria da Polícia: Recebe manifestações da população e pode ser contatada pelo telefone 0800-177-070 ou pelo portal oficial da Ouvidoria da Polícia do Estado.
  • Disque Denúncia: Funciona pelo telefone 181, com atendimento anônimo disponível durante 24 horas todos os dias.
  • Corregedoria da PM: Responsável por apurações disciplinares internas, com sede na Rua da Consolação e atendimento ao cidadão em plantão permanente.

O registro formal de denúncias ajuda a subsidiar procedimentos do Ministério Público, órgão responsável pelo controle externo da atividade policial que acompanha os inquéritos de mortes decorrentes de intervenção.

O que fazer em casos de crise de saúde mental na rua

Em ocorrências envolvendo pessoas em sofrimento psíquico agudo, a rede pública de saúde dispõe de diretrizes específicas que priorizam o atendimento médico emergencial antes de qualquer contenção armada.

Ao presenciar uma pessoa em crise psicótica que ofereça risco a si mesma ou a terceiros, a orientação médica é acionar primariamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pelo número de emergência 192, informando a situação clínica com clareza.

As equipes do Samu contam com profissionais preparados para aplicar protocolos de desescalada verbal e contenção clínica humanizada. Nos municípios, o acolhimento contínuo pode ser buscado diretamente nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) da rede municipal de saúde, abertos de segunda a sexta-feira para atendimento espontâneo.

Limpatech