A Polícia Federal prendeu em flagrante um homem de 30 anos na manhã desta quarta-feira (21), em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Ele guardava no próprio aparelho celular diversos vídeos com cenas explícitas de abuso sexual contra crianças e adolescentes.
Operação da Polícia Federal combate rede de exploração sexual na internet
A ação foi coordenada por agentes federais que cumpriram um mandado judicial de busca e apreensão na residência do suspeito. Ao realizarem a inspeção inicial no telefone móvel utilizado por ele, os policiais localizaram os arquivos criminosos e efetuaram a prisão imediata.
O investigado, que não teve o nome divulgado pelas autoridades, responderá pelos crimes de armazenamento, compartilhamento, comercialização e produção de mídias contendo violência sexual infantil. O aparelho telefônico foi apreendido e encaminhado para perícia técnica criminal.
As apurações que levaram até o endereço em Belford Roxo começaram meses antes, sob a responsabilidade da Delegacia de Polícia Federal em Niterói (DPF/NRI). Na ocasião, uma primeira prisão revelou a existência de um grupo estruturado em aplicativos de mensagens focado na perseguição virtual de menores.
Segundo a investigação, os participantes dessa rede trocavam dados cadastrais e perfis de vítimas para facilitar abordagens. Eles criavam contas falsas em redes sociais para ganhar a confiança de meninos e meninas, passando em seguida a exigir o envio de fotografias e vídeos íntimos sob chantagem e coerção emocional.
Como funcionava o grupo descoberto pela polícia
Os relatórios da corporação mostram que o espaço funcionava como uma rede de compartilhamento de táticas criminosas. Os envolvidos discutiam estratégias de manipulação psicológica para driblar o controle familiar e forçar o isolamento das vítimas.
Com o avanço dos dados extraídos do primeiro investigado em Niterói, os policiais identificaram a atuação direta do morador de Belford Roxo. A perícia técnica vai agora analisar se ele apenas armazenava os arquivos ou se também participava ativamente da extorsão e produção de novos materiais ilícitos.
A comunidade jurídica e de proteção à infância adota internacionalmente os termos abuso e violência sexual para tratar desses casos. A mudança visa reforçar a gravidade da violação dos direitos das vítimas, abandonando termos atenuantes.
Quem responde por isso
O caso está sob responsabilidade direta da Delegacia de Polícia Federal em Niterói, responsável pelo inquérito principal que mapeia ramificações da rede criminosa em todo o estado do Rio de Janeiro.
A Polícia Federal informou que as apurações continuam com a checagem detalhada dos computadores e aparelhos recolhidos. O objetivo é mapear outros integrantes do grupo digital, além de identificar e prestar apoio às crianças que tiveram seus dados pessoais violados.
O que fazer se você foi vítima ou suspeita de aliciamento
Caso pais ou responsáveis percebam mudanças repentinas no comportamento de crianças e adolescentes, é fundamental checar conversas em redes sociais e jogos online. Sinais de isolamento, medo ou uso escondido do celular costumam acender alertas.
Se for identificado contato de pessoas exigindo fotos íntimas ou fazendo ameaças, a orientação das autoridades é nunca apagar as mensagens trocadas. Salve prints das telas, links de perfis, números de telefone e guarde o aparelho para facilitar a perícia policial.
O registro formal da ocorrência pode ser feito em qualquer delegacia da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro ou diretamente em uma unidade da Polícia Federal. Casos na internet também podem ser comunicados na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), situada na Cidade da Polícia, na Zona Norte da capital fluminense.
Como denunciar
A população pode ajudar no combate a redes de exploração e violência contra menores com informações sigilosas. Para casos em andamento no estado, o Disque Denúncia do Rio funciona pelo telefone (21) 2253-1177, com atendimento anônimo durante 24 horas todos os dias.
Também é possível acionar o Disque 100, canal federal gratuito especializado na defesa dos direitos humanos e de crianças e adolescentes. As denúncias encaminhadas por esse meio são direcionadas com prioridade aos órgãos de investigação e aos conselhos tutelares de cada município.














