A Polícia Federal deflagrou a Operação Mahin em Teresópolis, na Região Serrana do Rio, para apurar ameaças de morte e ataques racistas contra a deputada federal Talíria Petrone e sua família. Os agentes cumpriram mandado de busca nesta terça-feira.
Investigação apura plano de morte e intimidação contra parlamentar
A ofensiva da Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Eleitoral do Distrito Federal. Os policiais estiveram em um endereço localizado no município de Teresópolis para coletar provas e mídias eletrônicas.
Segundo a investigação oficial, as apurações começaram em agosto, após o envio de mensagens eletrônicas contra a deputada fluminense. Os textos continham ameaças graves de morte, intimidações de cunho misógino, ofensas racistas e dados sigilosos vazados.
Entre as informações expostas sem consentimento estavam endereços pessoais da parlamentar e registros ligados à rotina dos filhos dela. A divulgação dessas informações mobilizou equipes especializadas no combate a crimes cibernéticos e violência institucional de gênero.
A Polícia Federal informou que identificou o principal suspeito pelo envio dos e-mails criminosos. O homem já havia sido preso dias depois pela polícia em Teresópolis, apontado como suspeito de envolvimento em outro delito na região.
O que já se sabe sobre as apurações
O inquérito da PF busca comprovar se o homem agiu sozinho ou se recebia ordens de grupos articulados. O material recolhido durante o mandado de busca em Teresópolis agora passa por perícia técnica nos laboratórios da corporação.
A Justiça Eleitoral do Distrito Federal autorizou as medidas cautelares devido à natureza de violência política que cerca o caso. A corporação não revelou o nome do homem preso nem detalhes das apreensões para preservar o andamento dos trabalhos.
Em nota oficial, Talíria Petrone informou que tomou conhecimento da ação policial pela imprensa. A deputada declarou que acumula uma década de perseguições e planos de execução atribuídos a grupos milicianos desde a morte de Marielle Franco, em 2018.
A deputada cobrou celeridade na conclusão dos inquéritos abertos no estado e na esfera federal. Para a deputada, a impunidade estimula novos ataques diretos e compromete a segurança de mulheres eleitas pelo voto popular.
Histórico de ameaças sofridas pela deputada
Os registros de intimidação contra Talíria Petrone se repetem há anos em diferentes esferas. Em julho de 2024, no período de pré-campanha para a Prefeitura de Niterói, mensagens com ataques racistas e ameaças de morte foram enviadas ao gabinete da deputada.
Em março de 2026, novas mensagens ofensivas foram protocoladas junto às autoridades fluminenses, sem que os mandantes fossem identificados à época. O padrão de intimidação envolvia ameaças aos parentes da congressista e menções detalhadas ao dia a dia da família.
Em agosto deste ano, outro e-mail com conteúdo violento chegou aos canais da equipe parlamentar. A mensagem incluía ameaças diretas contra as crianças e motivou pedidos de reforço de escolta junto aos órgãos de proteção aos defensores dos direitos humanos.
Os episódios anteriores foram formalizados na Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, no Ministério Público Federal e na Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados, em Brasília. As ações correm sob acompanhamento de entidades de direitos humanos.
Como denunciar casos de violência política e ameaças
O cidadão que presenciar ou souber de planos criminosos e atos de violência política de gênero pode usar os canais oficiais e anônimos mantidos pelas forças de segurança no estado do Rio de Janeiro.
- Disque Denúncia do Rio: ligue para o telefone (21) 2253-1177 ou utilize o WhatsApp no mesmo número. O atendimento funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, sob sigilo total.
- Polícia Federal: denúncias sobre crimes federais, crimes cibernéticos e violência política podem ser registradas na Superintendência Regional da PF no Rio (Avenida Rodrigues Alves, 1, Saúde, Centro) ou pelo portal eletrônico da corporação.
- Plantão Judiciário e Emergência: em caso de risco imediato e agressão flagrante, acione a Polícia Militar pelo número 190.
O que fazer se você for vítima de ameaça virtual
Casos de coação por e-mail ou redes sociais exigem cuidados específicos com as provas para que a polícia possa rastrear os infratores. Especialistas e órgãos de investigação orientam passos fundamentais para viabilizar a apuração:
- Não apague as mensagens: salve prints completos da tela, preservando o cabeçalho técnico dos e-mails, endereços de links e números de telefone de onde partiram as ofensas.
- Registre ata notarial: compareça a um cartório de notas para validar o conteúdo digital antes que o agressor exclua os perfis ou mensagens da internet.
- Procure a delegacia especializada: no Rio de Janeiro, os registros podem ser feitos na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), situada na Cidade da Polícia, ou em qualquer delegacia distrital da Polícia Civil. O registro também pode ser aberto pela internet, na página da Delegacia Online.
O inquérito da PF sobre as ameaças registradas em Teresópolis segue sem prazo definitivo de encerramento. Os aparelhos eletrônicos apreendidos serão anexados ao processo que tramita perante a Justiça Eleitoral.














