PF mira grupo que vendeu fuzis e movimentou R$ 100 mi no Rio

A Polícia Federal deflagrou uma operação nesta quarta-feira contra um grupo suspeito de fornecer armas pesadas para o tráfico do Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio. A ação cumpre mandados na capital e na Baixada Fluminense.

Operação mira agentes públicos e rede de armas no Complexo de Israel

Batizada de Operação Magen, a força-tarefa foi montada pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Ao todo, os agentes saíram para cumprir sete mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão. A ordem judicial atinge endereços na Barra da Tijuca, Copacabana, Parada de Lucas e Vila da Penha, além de municípios da Baixada Fluminense como Nova Iguaçu, Mesquita, Nilópolis e Seropédica, e também em Angra dos Reis.

Segundo as investigações do Grupo de Investigações Sensíveis da Polícia Federal e do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal do Ministério Público estadual, a rede criminosa movimentou mais de R$ 100 milhões em apenas quatro anos. O valor circulava por meio de contas bancárias pessoais e empresas de fachada para esconder os lucros ilegais, quantia considerada totalmente incompatível com a renda declarada dos investigados.

De acordo com os investigadores, o esquema envolvia a entrega direta de armamento para chefes do crime. Em um dos episódios comprovados pelo inquérito, o grupo repassou dez fuzis AR-15 de uma vez só para a principal liderança da facção que controla as comunidades do Complexo de Israel. Um dos investigados acabou detido em uma residência na Barra da Tijuca, enquanto em Angra dos Reis os agentes apreenderam um fuzil, uma pistola e diversos carregadores.

Vazamento de dados e policiais investigados

A investigação revelou que o grupo contava com o apoio de agentes de segurança pública. Entre os alvos estão um policial civil, um policial militar da ativa e ex-policiais. Conforme a apuração policial, esses agentes usavam senhas de acesso aos sistemas sigilosos do Estado para pesquisar e repassar relatórios estratégicos aos traficantes.

Com essas consultas ilegais, o bando conseguia dados de placas de veículos descaracterizados, endereços particulares e mandados de prisão em aberto. O material servia para avisar chefes do tráfico antes da chegada das viaturas, além de abastecer extorsões e investigações clandestinas. Em troca da ajuda, esses servidores recebiam armas pesadas e outros equipamentos táticos como pagamento de comissão.

O que já se sabe sobre as medidas da Justiça

Além das ordens de prisão temporária e preventiva, a Justiça determinou que parte dos investigados use tornozeleira eletrônica. Essas medidas cautelares atingem suspeitos ligados ao braço financeiro e patrimonial da organização criminosa.

Os envolvidos foram formalmente denunciados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Eles respondem pelos crimes de organização criminosa armada, comércio ilegal de armas de fogo e munições, violação de sigilo funcional, usura e lavagem de dinheiro, de acordo com o nível de atuação de cada integrante.

Como denunciar

Quem tiver informações sobre depósitos clandestinos de armas, rotas de veículos suspeitos ou atuação de criminosos pode colaborar com as autoridades de forma totalmente sigilosa. O Disque Denúncia do Rio funciona 24 horas por dia pelo telefone (21) 2253-1177, que também aceita mensagens pelo WhatsApp. O anonimato é garantido por lei e nenhuma informação pessoal é solicitada durante a ligação.

Denúncias sobre desvios e condutas irregulares envolvendo policiais civis e militares também podem ser encaminhadas diretamente para as respectivas corregedorias das corporações ou pelo portal de atendimento do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

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