PF mira fraude em concurso da UFRJ e faz buscas na Zona Oeste

A Polícia Federal cumpre 13 mandados de busca e apreensão na manhã desta quarta-feira, 21, contra suspeitas de fraude no concurso da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A ação atinge endereços em Bangu, Realengo e Taquara, na Zona Oeste carioca.

Esquema de cola e respostas iguais em concurso da UFRJ

A investigação, batizada de Operação Gabarito, apura irregularidades cometidas no processo seletivo para o cargo de técnico administrativo em educação da UFRJ. A avaliação foi aplicada no início de março deste ano em vários polos da instituição de ensino no Rio de Janeiro.

As ordens judiciais foram determinadas pela 2ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro após representação dos investigadores federais. As equipes saíram no início da manhã para recolher computadores, celulares, anotações e documentos nas casas dos suspeitos de envolvimento na fraude.

O inquérito policial começou logo depois de um alerta enviado formalmente pela própria banca que organizou o concurso público. Os técnicos da comissão examinadora notaram um padrão idêntico de respostas em cartões de confirmação de vários candidatos diferentes que concorriam às vagas abertas pela universidade.

A semelhança incomum nas opções marcadas chamou a atenção dos fiscais e motivou o envio de uma notícia-crime para a Polícia Federal. A apuração tenta descobrir se os cadernos de prova vazaram com antecedência ou se o grupo utilizou métodos eletrônicos para transmissão do gabarito em tempo real durante a realização do exame.

O que já se sabe sobre a investigação da PF

Os agentes federais concentram as ordens de busca em bairros populosos da Zona Oeste da capital. Até o momento, a investigação confirmou o cumprimento de mandados em Realengo, Bangu e Taquara, locais onde residem candidatos suspeitos de participação no esquema ou possíveis intermediários da venda de respostas.

De acordo com a Polícia Federal, os alvos da ação respondem inicialmente pelo crime de fraude em certame de interesse público. A legislação brasileira prevê pena de reclusão de um a quatro anos, além do pagamento de multa, para quem comete esse tipo de delito contra seleções oficiais.

Se os peritos identificarem que houve cobrança de valores financeiros ou associação criminosa estruturada entre os participantes, os envolvidos poderão ter outros crimes incluídos no inquérito. A apuração ainda não confirmou prisões em flagrante durante as diligências matinais.

O material apreendido nas residências dos bairros da Zona Oeste agora passa por perícia técnica especializada. Os computadores e celulares serão periciados em laboratório para tentar identificar o canal usado para a transmissão de gabaritos e eventuais pagamentos bancários feitos entre os candidatos e os responsáveis pelo esquema criminoso.

Quem responde por isso e o que dizem as instituições

O caso está sob responsabilidade direta da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários da Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Os mandados foram autorizados pelos magistrados da 2ª Vara Federal Criminal da Justiça Federal fluminense.

A comissão organizadora do certame da UFRJ atuou como a primeira denunciante do caso ao flagrar desvios estatísticos na correção dos cartões de resposta. A reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro ainda não informou se a classificação final do concurso para técnicos administrativos será anulada ou se haverá cancelamento apenas das inscrições dos nomes sob investigação.

Quem prestou a prova e aguarda convocação para o cargo deve acompanhar os editais complementares publicados na página oficial de concursos da instituição. Até o fechamento desta reportagem, a universidade pública não havia publicado alterações no cronograma geral dos novos servidores.

Como denunciar irregularidades em concursos no Rio

O trabalhador que estuda meses para um concurso público e nota movimentações estranhas em sala de prova tem canais diretos para relatar irregularidades. Casos federais, como os vestibulares e seleções da UFRJ, recebem apuração formal da PF e do Ministério Público Federal.

Quem presenciou celulares no banheiro, fiscais coniventes ou oferta de vagas compradas pode acionar a Polícia Federal pela internet, na plataforma Fala.BR do governo federal. As denúncias também podem ser entregues na sede da Superintendência da Polícia Federal, localizada na Avenida Rodrigues Alves, 1, no bairro da Saúde, Zona Portuária carioca.

Para ocorrências em certames municipais ou estaduais no estado do Rio de Janeiro, a população pode acionar o Disque Denúncia. O atendimento funciona 24 horas por dia pelo telefone (21) 2253-1177, com garantia de sigilo total das informações do denunciante e canal direto com as delegacias da Polícia Civil.

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