PF apura fraude de R$ 9 milhões em hospital de São Fidélis

A Polícia Federal deflagrou a Operação Fidúcia para investigar desvios de mais de R$ 9 milhões em uma licitação da saúde no Norte Fluminense. A verba era destinada ao Hospital Armando Vidal, única unidade pública de São Fidélis.

A ofensiva ocorreu em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU). Agentes federais e auditores saíram às ruas para cumprir nove mandados de busca e apreensão nos municípios de São Fidélis e Campos dos Goytacazes.

Esquema usava empresas de fachada e servidores suspeitos

Segundo a investigação conjunta da PF e da CGU, o procedimento de compra apresentou falhas consideradas graves desde a origem. Os investigadores constataram que houve inversão ilegal das etapas de elaboração dos projetos e de contratação dos serviços.

As apurações apontam que empresas participantes do certame montaram um esquema fraudulento. O grupo utilizava pessoas físicas e jurídicas de fachada, os conhecidos laranjas, para ocultar os verdadeiros donos dos negócios e vencer a disputa pelo dinheiro público.

Há fortes indícios de envolvimento direto de servidores públicos municipais e de empresários da região. Conforme informou a corporação, os alvos podem responder pelos crimes de fraude em licitação, corrupção ativa, corrupção passiva, peculato e associação criminosa à medida que a apuração avançar.

O que já se sabe sobre a investigação

O foco principal da Operação Fidúcia é recolher documentos, mídias digitais e contratos para comprovar a extensão do rombo aos cofres municipais. A licitação sob suspeita ultrapassa a cifra de R$ 9 milhões em recursos destinados ao atendimento médico da população local.

Todo o material apreendido durante o cumprimento das ordens judiciais foi encaminhado para análise técnica dos peritos da Polícia Federal e auditores federais. Nenhuma prisão em flagrante ou preventiva foi divulgada pelas autoridades nesta primeira fase ostensiva dos trabalhos.

A investigação aponta que as empresas concorrentes simulavam disputa para garantir que contratos milionários fossem direcionados. Os nomes das firmas envolvidas e dos servidores investigados ainda são mantidos em sigilo judicial para não atrapalhar o restante das apurações.

Como fica a região de São Fidélis

O Hospital Armando Vidal representa a única opção de pronto atendimento e internação pública para quem mora em São Fidélis. Quando o serviço da unidade enfrenta problemas de recursos ou gestão, os pacientes precisam ser transportados pela rodovia até Campos dos Goytacazes.

Por ser o único polo de socorro médico do município, qualquer desvio de verba atinge diretamente o fornecimento de remédios, insumos básicos e exames de rotina. A rotina de consultas e emergências na unidade de saúde continuou funcionando durante as buscas policiais.

Moradores que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade relatam preocupação com o impacto das apurações no atendimento diário. Os órgãos fiscalizadores informaram que a ação policial mira os contratos administrativos e não tem ordem para paralisar o funcionamento do hospital.

Quem responde por isso

A investigação está a cargo da Delegacia da Polícia Federal em Campos dos Goytacazes, unidade responsável pela circunscrição policial no Norte e Noroeste Fluminense. O trabalho de auditoria financeira corre sob coordenação direta do núcleo regional da Controladoria-Geral da União.

A Prefeitura de São Fidélis e a administração do Hospital Armando Vidal são os órgãos locais que devem prestar esclarecimentos formais sobre o processo licitatório colocado sob suspeita. A Polícia Federal não confirmou se gestores do primeiro escalão prestaram depoimento nesta quarta-feira.

Caso os desvios sejam comprovados pela Justiça Federal, as verbas públicas desviadas poderão ser alvo de pedidos de ressarcimento aos cofres públicos, além do bloqueio de bens móveis e imóveis dos investigados.

Como denunciar desvios na saúde

O cidadão que souber de desvios de remédios, fraudes em compras públicas ou cobranças indevidas no sistema de saúde pode fazer denúncias de forma totalmente anônima. As informações ajudam os órgãos federais a abrir novas frentes de checagem.

Para casos envolvendo recursos do governo federal, o canal oficial é a plataforma Fala.BR, mantida pela Controladoria-Geral da União pela internet, ou pelo telefone 121. O serviço registra irregularidades sem exigir a identificação de quem fala.

No âmbito estadual, o Disque Denúncia do Rio de Janeiro atende pela central telefônica (21) 2253-1177, com funcionamento 24 horas por dia e sigilo garantido. O morador também pode procurar a sede da Delegacia da PF em Campos dos Goytacazes para repassar dados sobre crimes contra a administração pública.

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