PF apreende 7 fuzis em Macaé e cidades do Rio em ação contra fraudes

A Polícia Federal apreendeu nove armas de fogo, sendo sete fuzis, durante uma operação deflagrada nesta quarta-feira em Macaé e outros quatro municípios do Rio de Janeiro. A ação mira fraudes na liberação de registros para atiradores.

Esquema cobrava propina para liberar armas no Rio de Janeiro

A ofensiva faz parte da segunda fase da Operação Polaridade. Ao todo, a Justiça Federal expediu dez mandados de busca e apreensão e uma ordem de prisão temporária no Estado do Rio de Janeiro.

As ordens judiciais foram cumpridas em endereços nos municípios de Macaé, Rio das Ostras, São Pedro da Aldeia, Araruama e Volta Redonda. Entre os alvos da apuração estão dois policiais militares e um integrante da Marinha do Brasil. O militar da Marinha acabou preso em flagrante por posse irregular de arma de fogo durante as buscas da corporação.

A investigação aponta que compradores pagavam valores indevidos para conseguir autorizações de compra de armamento pesado e munições. O esquema burlava as regras oficiais destinadas aos chamados CACs, categoria que reúne colecionadores, atiradores desportivos e caçadores.

Segundo a corporação, o dinheiro era repassado diretamente a um funcionário terceirizado. Esse colaborador atuava para acelerar e aprovar os pedidos de forma irregular no sistema de controle federal, furando a fila e ignorando as exigências da lei.

O que já se sabe sobre as investigações

Os agentes recolheram fuzis, pistola, revólver e espingarda, além de documentos e telefones celulares. Todo o material apreendido passará por perícia técnica nos laboratórios da Polícia Federal.

O foco das análises é o sistema Sinarm-CAC, utilizado para gerenciar a documentação de armas no país. Os policiais federais querem descobrir quantas autorizações ilegais foram emitidas com o uso desse mecanismo criminoso e qual foi o caminho do dinheiro pago pelos interessados.

Os investigados poderão responder judicialmente por corrupção passiva, corrupção ativa, inserção de dados falsos em sistema de informações, associação criminosa e falsidade ideológica. A Polícia Federal não divulgou os nomes dos envolvidos nem a quantia exata de dinheiro movimentada no esquema até o momento.

Quem responde por isso e como a ação foi organizada

A investigação é conduzida pela Delegacia de Polícia Federal em Macaé, responsável pela apuração dos crimes federais no Norte Fluminense e na Região dos Lagos. A ação desta semana contou com o apoio direto da Corregedoria da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

A corporação estadual atuou para acompanhar o cumprimento das medidas judiciais que envolviam os policiais militares citados no inquérito. A Marinha do Brasil também acompanha o processo após a prisão em flagrante do seu integrante.

A Polícia Federal reforçou que as investigações continuam em andamento. Os dados extraídos das mídias eletrônicas recolhidas podem indicar a participação de novos intermediários e compradores de armas nos próximos dias.

Como denunciar irregularidades e venda ilegal de armas

Quem tiver informações sobre desvio de conduta, comércio ilegal de armamentos ou cobrança de propina em órgãos públicos pode denunciar de forma totalmente anônima.

O Disque Denúncia do Rio atende pelo telefone (21) 2253-1177, com funcionamento 24 horas por dia. O canal também recebe mensagens e denúncias com fotos ou vídeos pelo aplicativo oficial Disque Denúncia RJ.

Além disso, a Polícia Federal disponibiliza canais diretos para o recebimento de denúncias de corrupção envolvendo servidores ou serviços federais. O contato pode ser feito presencialmente no posto da Polícia Federal em Macaé, situado na Avenida Camilo Nogueira da Gama, no bairro Botafogo, ou por meio do sistema eletrônico Fala.BR na internet.

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