A pesquisa Quaest Rio divulgada nesta segunda-feira (3) aponta que a maioria dos fluminenses apoia o endurecimento das medidas de segurança pública após a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, que deixou 121 mortos. Segundo o levantamento, 59% dos entrevistados são favoráveis à adoção de uma nova Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no estado — intervenção federal semelhante à realizada em 2018 —, enquanto 34% são contrários e 7% não souberam opinar.
O estudo, realizado pela Genial/Quaest entre os dias 30 e 31 de outubro, mostra também que 72% dos fluminenses defendem enquadrar facções criminosas como organizações terroristas, medida que tem sido debatida no Congresso Nacional. Para 85% dos entrevistados, é necessário aumentar as penas de condenados por homicídio a mando do crime organizado.
Além disso, 52% apoiam a PEC da Segurança Pública, proposta pelo governo federal que busca reforçar a atuação das forças de segurança e a integração entre os entes federativos. Outros 29% desaprovam a medida, e 19% não responderam.
Câmeras corporais e medidas de vigilância têm amplo apoio
A pesquisa Quaest Rio também aponta um alto índice de apoio ao uso de câmeras corporais pelos policiais. Mais de 81% dos entrevistados disseram concordar com o monitoramento audiovisual como forma de garantir transparência e reduzir abusos durante operações.
Outras medidas mais controversas também foram analisadas. 58% dos fluminenses aprovam a pena de morte para crimes graves, enquanto 51% concordam com a frase “bandido bom é bandido morto”. Já 42% discordam dessa afirmação, indicando uma divisão na opinião pública sobre punições extremas.
Quando o tema é legalização das drogas, a rejeição é expressiva: 59% dos entrevistados se posicionaram contra, enquanto 34% disseram ser favoráveis.
Rejeição à flexibilização do porte de armas
Entre os pontos com maior consenso, a maioria dos entrevistados — 72% — afirmou ser contra a flexibilização das regras para compra e porte de armas no Brasil. Apenas 24% disseram apoiar a facilitação do acesso a armamentos, e 4% preferiram não responder.
Os dados indicam uma tendência da população fluminense em apoiar políticas de segurança mais rígidas, mas com foco em ações fiscalizadas e transparentes, como o uso de câmeras e punições específicas para o crime organizado.
O levantamento ouviu 1.500 pessoas em 40 municípios do estado, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Clima de tensão e cobrança por resultados
A divulgação da pesquisa ocorre em meio ao debate nacional sobre os limites da força policial e o papel da União no combate à criminalidade no Rio. Após a operação mais letal da história do estado, o governo federal tenta avançar com o Projeto Antifacção, que endurece penas para crimes ligados a organizações criminosas.
Os números reforçam a percepção de que a população exige ações imediatas de combate à violência, mas também cobra efetividade, transparência e controle das forças de segurança, temas que devem seguir no centro das discussões políticas nos próximos meses.














