A pesquisa Datafolha divulgada nesta semana mostra que o Partido dos Trabalhadores segue como a sigla preferida dos brasileiros, mantendo uma liderança consolidada ao longo de décadas. Ao mesmo tempo, o Partido Liberal aparece em crescimento contínuo e ocupa a segunda posição, alcançando o maior patamar desde o início da série histórica.
Segundo o levantamento, o PT foi citado espontaneamente por 24% dos entrevistados, enquanto o PL apareceu com 12%. A distância entre os dois partidos permanece ampla, mas o avanço da legenda associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro chama atenção pela regularidade desde o fim de 2021.
A liderança petista se mantém estável durante o atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde o início do terceiro governo, os índices de menções ao partido oscilaram entre 23% e 27%, sem variações bruscas, reforçando uma hegemonia iniciada no fim da década de 1990.
O maior percentual recente do PT foi registrado em setembro de 2022, às vésperas da eleição presidencial, quando 31% dos brasileiros declararam preferência pela sigla. Naquele momento, o país vivia um cenário de forte polarização política entre Lula e Bolsonaro.
Já o PL atingiu agora o maior índice de toda a série histórica da pesquisa, iniciada em 1989. A legenda passou a aparecer de forma mais consistente nas respostas a partir de dezembro de 2021, logo após a filiação de Bolsonaro ao partido, movimento que ampliou sua visibilidade nacional.
Desde então, o crescimento foi gradual, com a sigla alcançando dois dígitos em outubro de 2022, durante o segundo turno da eleição presidencial. Mesmo após a derrota eleitoral, a influência política do ex-presidente segue refletindo no desempenho do partido junto a uma parcela do eleitorado.
Ao longo de toda a série do Datafolha, o PT só perdeu a liderança por um curto período para o PMDB, hoje MDB. A legenda chegou a registrar 19% das menções no início dos anos 1990, mas atualmente aparece com apenas 2%.
Outros partidos tradicionais também perderam espaço ao longo dos anos. O PSDB, que foi o principal adversário do PT por décadas, atingiu seu pico em 2015, com 9% das menções, em meio aos protestos contra o governo Dilma Rousseff. No mesmo período, o PT registrou um de seus piores momentos na série.
A pesquisa também aponta diferenças relevantes entre os eleitores. O PT apresenta índices mais altos entre moradores do Nordeste, pessoas com menor escolaridade, católicos e eleitores que avaliaram positivamente o STF e votaram em Lula em 2022.
Já o PL se destaca entre eleitores com renda familiar mais elevada, pessoas com ensino médio e superior, críticos ao STF e aqueles que declararam voto em Bolsonaro na última eleição presidencial.
O levantamento ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 2 e 4 de dezembro, em 113 municípios de todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.














