Pelo atletismo fluminense: vereador cobra reforma do Estádio Célio de Barros e levará pauta a Eduardo Paes

Um dos maiores símbolos da história do esporte nacional pede socorro, e a cobrança por sua recuperação acaba de ganhar novos contornos políticos. O vereador Rafael Aloisio Freitas anunciou que levará ao candidato ao governo do estado, Eduardo Paes, a urgência na reforma do Estádio de Atletismo Célio de Barros, localizado no complexo do Maracanã.

O valor estimado para devolver o espaço aos atletas é de R$ 40 milhões — uma cifra modesta quando comparada a outras intervenções urbanas recentes, como a implantação do Parque Piedade. A estratégia de articulação do vereador repete o modelo adotado em 2020, quando Aloisio sensibilizou Paes (então candidato à Prefeitura) para a revitalização do terreno da antiga Universidade Gama Filho (UGF).

“É um compromisso público”, cravou o vereador sobre a missão de resgatar o equipamento pertencente ao governo estadual.

A iniciativa ganhou força após uma reunião entre o parlamentar e nomes históricos da modalidade. Ex-técnico da seleção brasileira de atletismo nos Jogos Olímpicos de Montreal (1976) e Moscou (1980), Carlos Alberto Lancetta criticou a sequência de gestões estaduais que prometeram reformas, mas nada entregaram.

De acordo com Lancetta, o estádio só resistiu até hoje devido ao tombamento da pista pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), realizado em 2000, aliado à fiscalização constante do Ministério Público Federal (MPF).

Sem o espaço adequado, o impacto no esporte local é direto e alarmante, com evasão de atletas e prejuízo técnico. Promessas e profissionais do Rio têm migrado para estados como Minas Gerais e São Paulo — este último, inclusive, inaugurou recentemente uma pista de alta performance no Ibirapuera. Além disso, a falta de infraestrutura de ponta impede o desenvolvimento contínuo de novos nomes no cenário fluminense.

Inaugurada em 1954, a estrutura do Célio de Barros fez história em 1974 ao se tornar a primeira pista sintética da América do Sul. O local foi o berço de treinos e conquistas de lendas do esporte nacional, como Maurren Maggi, Joaquim Cruz, Robson Caetano, João do Pulo, Nelson Prudêncio e Zequinha Barbosa.

O alvorecer das décadas de 1970 e 1980 consolidou o local como o grande polo do atletismo brasileiro, memória reforçada por dirigentes da Federação Estadual Rio Atletismo (FERAt) — como o presidente Robson Maia e o coordenador Alexandre Pinto —, além dos ex-atletas olímpicos Geraldo Pegado e Nelson Rocha dos Santos.

O cenário ruiu drasticamente em 2013, durante as obras de remodelação do Maracanã para a Copa do Mundo, quando a torre de controle e cronometragem do Célio de Barros — adquirida apenas seis anos antes para os Jogos Pan-Americanos de 2007 — foi demolida.

Para além dos treinos e competições, o projeto de recuperação prevê um modelo de negócios rentável e moderno. Consultor jurídico da Comissão Consultiva Célio de Barros (CCCB), Valmir Fausto Araújo destaca que o espaço pode abrigar eventos culturais e de entretenimento sem prejudicar a prática esportiva.

“Cobrindo a pista, é possível, inclusive, promover shows no local”, explicou Araújo.

A proposta visa não apenas reintroduzir o atletismo de alto rendimento no calendário oficial do Rio de Janeiro, mas também garantir que o Célio de Barros volte a ser um patrimônio ativo, funcional e autossustentável para a população fluminense.

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