Pai Condenado a 24 Anos por Feminicídio da Filha de 4 Anos em São Paulo, Após Terceiro Julgamento

Pai é condenado a mais de 24 anos de prisão por feminicídio da filha de 4 anos em São Paulo.

Um homem foi sentenciado a 24 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão pelo feminicídio de sua própria filha, de apenas quatro anos. A decisão final saiu na noite de sexta-feira (14/8), após um longo julgamento no Tribunal do Júri da 1ª Vara do Júri da Capital, em São Paulo.

Este foi o terceiro julgamento relacionado ao caso. Os dois anteriores foram anulados, um por contradição na votação dos jurados e outro por decisão considerada contrária às provas apresentadas, evidenciando a complexidade e as reviravoltas na busca por justiça para a pequena vítima.

Segundo os autos do processo, a mãe da criança e o réu mantinham um relacionamento conturbado que terminou logo após o nascimento da menina. Apesar da separação, o homem continuava visitando a filha e, no dia do crime, a buscou na escola e a levou para casa, conforme relatado na acusação.

Crime cruel e com recurso que dificultou a defesa

A criança foi encontrada morta em sua residência. Durante o processo, o réu sustentou sua inocência, alegando ter encontrado a filha caída no chão após o banho, com um saco plástico na cabeça e ferimentos pelo corpo. No entanto, os jurados reconheceram a responsabilidade do pai pela morte da menina.

A decisão considerou que o crime foi cometido com meio cruel e com um recurso que dificultou a defesa da vítima, agravado pela tenra idade da criança, menor de 14 anos. A juíza Melanie Liesenberg, que presidiu o julgamento, ressaltou que o réu manteve a negativa dos fatos durante todo o processo.

Dever de proteção violado

A magistrada também apontou como agravante o fato de o crime ter sido cometido contra a própria filha. A sentença levou em conta o dever intrínseco de proteção e cuidado que existe na relação entre pais e filhos, um vínculo que foi brutalmente quebrado neste caso trágico.

A condenação em regime fechado busca trazer alguma resposta à família e à sociedade diante da brutalidade do feminicídio infantil. O caso, que já passou por duas anulações, demonstra a persistência da justiça em apurar e punir crimes tão hediondos.

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