Uma grande operação policial deflagrada nesta quarta-feira mira uma organização criminosa especializada no furto, receptação e venda ilegal de cobre no Rio de Janeiro e em São Paulo. Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão e já recolheram carros de luxo e bens de alto valor ligados aos chefes do esquema.
A investigação aponta que o grupo movimentava milhões de reais abastecendo empresas e ferros-velhos com material retirado ilegalmente de redes de energia, telefonia e transporte público. O furto constante desses cabos afeta diretamente a rotina de milhares de passageiros de trens, BRT e luz de bairros inteiros na Baixada Fluminense e na Capital.
Esquema milionário de cobre roubado e lavagem de dinheiro
Segundo a Polícia Civil, a rede criminosa não atuava apenas no roubo direto na ponta, mas mantinha uma estrutura empresarial sólida para lavar o dinheiro vindo do crime. O material recolhido nas ruas por criminosos locais era comprado por receptadores do Rio de Janeiro e depois transportado para o estado de São Paulo, onde terminava derretido ou comercializado com notas fiscais adulteradas.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, os agentes apreenderam automóveis importados, grande quantidade de dinheiro em espécie e documentos de empresas de fachada. A Justiça também determinou o bloqueio das contas bancárias dos investigados para interromper o fluxo financeiro da quadrilha.
Como fica a região atingida pelos furtos de cabos
O roubo frequente de fiação elétrica e de sinalização paralisa trens da SuperVia e deixa estações do BRT no escuro com frequência. Para o trabalhador do Rio de Janeiro, o resultado prático desse crime é o atraso diário no deslocamento, estações fechadas de surpresa e falta de iluminação pública nas vias principais de bairros mais distantes do Centro.
A polícia e as concessionárias informam que o patrulhamento em vias férreas e grandes avenidas continuará reforçado nos próximos dias para evitar ações de bandidos enquanto as equipes de manutenção fazem os reparos da fiação roubada.
Quem responde por isso e como funcionavam as investigações
A ação é coordenada pelas forças de segurança do Rio de Janeiro em conjunto com equipes da Polícia Civil de São Paulo. A investigação começou após o aumento expressivo de interrupções nos serviços de trens e telefonia no último ano no Estado do Rio.
Os órgãos oficiais ressaltam que ferros-velhos e depósitos que compram cobre sem comprovação de origem também respondem pelo crime de receptação qualificada, podendo ter o alvará de funcionamento cassado e os donos presos em flagrante.
O que fazer se você foi vítima ou presenciou o roubo
Moradores que ficarem sem sinal de internet, sem energia ou sem transporte devido à ação dos bandidos devem registrar a ocorrência formalmente. O boletim pode ser feito presencialmente na delegacia mais próxima da sua residência ou através da Delegacia Online da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.
Para fazer o registro na internet, basta acessar o site oficial do governo do estado, ter em mãos o documento de identidade (CPF) e descrever o local exato e o horário da falta de serviço causada pela retirada da fiação.
Como denunciar depósitos e receptadores anonimamente
A população tem papel fundamental para combater os locais que compram esse material roubado no seu bairro. Se você sabe de algum ferro-velho ou galpão usado para estocar fiação clandestina, pode fazer a denúncia sem se identificar.
O Disque Denúncia do Rio de Janeiro atende pelo telefone (21) 2253-1177, com funcionamento 24 horas por dia e garantia total de anonimato. Também é possível enviar informações, fotos e vídeos pelo aplicativo ou pelo site oficial do serviço.














