Operação com 360 agentes mira clonagem de carros em Realengo

Uma força-tarefa com 360 agentes cerca a comunidade Jardim Novo, em Realengo, na Zona Oeste do Rio, nesta sexta-feira. A operação combate uma quadrilha de roubo e clonagem de veículos de luxo que também negociava armas de guerra.

Operação Sinal Oculto mira esquema de clonagem e fuzis na Zona Oeste

A ação conjunta reúne equipes da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis e do Batalhão de Polícia de Choque. Ao todo, os agentes saíram para cumprir oito mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça, com suporte de dois veículos blindados para abrir caminho nas ruas do Jardim Novo.

As investigações começaram após o setor de inteligência flagrar páginas nas redes sociais oferecendo automóveis caros por quantias muito abaixo da tabela do mercado. A partir desses anúncios suspeitos, os policiais descobriram uma rede que recebia carros roubados, adulterava placas e numerações de chassi para simular documentos verdadeiros e repassar a compradores enganados ou receptadores.

Além de clonar os veículos para venda direta, os criminosos também trabalhavam sob encomenda. Conforme a apuração da polícia, modelos específicos eram roubados na cidade para atender pedidos prévios de criminosos e de terceiros que abasteciam o comércio ilegal.

Armas de guerra descobertas nas investigações

O monitoramento dos alvos levou a polícia a encontrar ligações diretas do grupo com o tráfico clandestino de armamento pesado. Os agentes analisaram cerca de 20 mil mensagens de texto e mais de 2.300 áudios trocados pelos suspeitos em aplicativos de conversa.

Nas conversas, os investigadores acharam negociações explícitas de fuzis AK-47, pistolas de calibre restrito e até armamento de calibre .50, capaz de derrubar aeronaves e furar blindagens. O grupo utilizava os recursos obtidos no esquema de clonagem de automóveis para adquirir e estocar armamentos nas comunidades da Zona Oeste.

A investigação também resgatou fotos e vídeos em que membros da organização ostentam fuzis nas ruas do Jardim Novo. O material confirmou que o esquema de veículos serve como motor financeiro para fortalecer o arsenal armado do crime organizado que domina a região.

O que já se sabe sobre o histórico da operação

Esta é a segunda etapa da Operação Sinal Oculto, que teve sua primeira ação deflagrada no dia 27 de agosto. Na ocasião, as equipes cumpriram 37 mandados de busca e apreensão e prenderam um homem considerado peça-chave da quadrilha.

Durante a primeira incursão no Jardim Novo, criminosos armados atacaram as viaturas a tiros. No confronto, um inspetor da Polícia Civil acabou baleado no rosto por um disparo que atravessou a face, resultando em ferimentos graves e internação hospitalar de emergência.

O objetivo atual é prender outros integrantes identificados ao longo das análises financeiras e de aparelhos apreendidos. As diligências permanecem em andamento nas imediações de Realengo e outras áreas da Zona Oeste para localizar desmanches clandestinos e garagens usadas para guardar os clones.

Como denunciar veículos suspeitos e paradeiro de foragidos

Quem tiver informações sobre depósitos ilegais de carros roubados, locais de clonagem ou esconderijos de criminosos envolvidos pode repassar dados fundamentais de forma anônima. O canal oficial da população é a central do Disque Denúncia:

  • Telefone do Disque Denúncia: (21) 2253-1177 (atendimento 24 horas por dia).
  • Atendimento via WhatsApp: (21) 2253-1177, com envio de fotos e vídeos em sigilo absoluto.
  • Aplicativo móvel: “Disque Denúncia RJ”, gratuito para celulares Android e iOS.
  • Atendimento presencial: Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis, na Cidade da Polícia, no Jacarezinho.

O sigilo sobre a identidade de quem telefona é garantido por lei. As informações ajudam as equipes táticas a encontrar veículos antes que placas e numerações originais sejam destruídas pela quadrilha.

O que fazer se você foi vítima de roubo de carro

Motoristas que tiverem veículos levados por assaltantes devem comunicar o crime o mais rápido possível para evitar que os dados sejam usados imediatamente em fraudes. O registro rápido bloqueia os cadastros do veículo no sistema nacional de trânsito:

  • Ligue imediatamente para o telefone de emergência 190 da Polícia Militar e informe a placa, marca, cor e a direção tomada pelos criminosos.
  • Registre a ocorrência online na Delegacia Eletrônica da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (dedic.pcerj.rj.gov.br) para casos sem violência física direta.
  • Se houve agressão ou ameaça armada presencial, procure a delegacia de polícia mais próxima para lavrar o flagrante e passar descrições dos criminosos.
  • Avise a seguradora e junte documentos como certificado de registro (CRLV), comprovante de endereço e documento pessoal com foto.

Guardar o número do Registro de Ocorrência gerado pela Polícia Civil é indispensável para anular multas, pontos na carteira e crimes cometidos enquanto o veículo estiver sob o controle dos assaltantes.

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