A Polícia Civil realiza, nesta segunda-feira, a Operação Mercador contra uma quadrilha suspeita de desviar armas e munições para facções criminosas. O esquema movimentou mais de R$ 100 milhões e tem alvos na Barra da Tijuca, Niterói, São Gonçalo e São João de Meriti.
Esquema usava fraude em registros CAC para armar o crime
A ação cumpre 56 mandados de prisão e de busca e apreensão. Até as primeiras horas da manhã, quatro suspeitos haviam sido presos. Segundo a apuração da Polícia Civil, o grupo fraudava a documentação de Caçadores, Atiradores e Colecionadores (CAC) para comprar armamentos de forma aparentemente legal e depois repassar o material a traficantes.
As investigações apontam que a rede criminosa falsificava carteiras de identidade, comprovantes de residência, laudos psicológicos e contratos de trabalho fictícios. Com esses papéis adulterados, intermediários conseguiam a liberação de Certificados de Registro junto aos órgãos competentes. Assim que as armas eram entregues, os envolvidos desviavam as peças diretamente para o mercado clandestino.
Fuzis, carabinas e pistolas negociados pelo grupo terminaram nas mãos de membros de duas das maiores facções do país: o Comando Vermelho (CV) e o Bonde do Maluco (BDM). O dinheiro gerado pelo tráfico de armas passava por empresas de fachada, com alterações societárias suspeitas e transações atípicas para tentar despistar as autoridades de controle financeiro.
Um dos chefes da quadrilha mora em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. De acordo com a apuração, ele comandava a articulação interestadual. O esquema funcionava em conjunto entre criminosos do Rio de Janeiro, Bahia, Ceará e Rio Grande do Sul.
Quem responde por isso
A ofensiva é coordenada no estado pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) e pela Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme). Como a organização criminosa operava também no Nordeste, os agentes fluminenses atuam em conjunto com a Polícia Civil do Estado da Bahia.
Os suspeitos responderão pelos crimes de comércio ilegal de armas de fogo, organização criminosa, falsificação de documentos públicos e lavagem de capitais. Os mandados judiciais seguem em andamento ao longo do dia, e o material recolhido passará por perícia técnica.
O que já se sabe
A investigação começou após a apreensão de armamentos em confrontos de rua e ações rotineiras. Rastreando os números de série de fuzis e pistolas, os agentes constataram que peças registradas originalmente no nome de atiradores e caçadores estavam em poder de criminosos comuns.
A partir dessa pista, a polícia identificou empresas de fachada criadas unicamente para justificar a movimentação financeira. Relatórios de inteligência financeira confirmaram que mais de R$ 100 milhões passaram pelas contas bancárias ligadas aos alvos, valor totalmente incompatível com a renda declarada formalmente pelos investigados.
Como denunciar
Informações sobre depósitos clandestinos de armamentos, circulação de veículos suspeitos ou localização de foragidos da Justiça podem ser enviadas de forma anônima ao Disque Denúncia do Rio de Janeiro pelo telefone (21) 2253-1177. O atendimento funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, e aceita chamadas e mensagens de WhatsApp.
O cidadão também pode fazer denúncias pela internet por meio do aplicativo ‘Disque Denúncia RJ’ ou comparecer à sede da Desarme, na Cidade da Polícia, localizada na Rua São Francisco Xavier, 936, no Jacaré, Zona Norte do Rio. Não é necessário se identificar para colaborar com os investigadores.
Como fica a região
Apesar da grande quantidade de mandados em cumprimento, a circulação de veículos e pedestres segue liberada nas áreas monitoradas. Na Barra da Tijuca, o tráfego nas avenidas das Américas e Ayrton Senna flui sem retenções decorrentes do trabalho policial.
Na Baixada Fluminense e na Região Metropolitana, moradores de São João de Meriti, Niterói e São Gonçalo não relataram interdições em vias públicas ou impactos nas linhas municipais de ônibus. Escolas e unidades de saúde básica desses municípios funcionam normalmente. As equipes de patrulhamento da Polícia Militar mantêm a vigilância reforçada nos acessos das cidades envolvidas para dar apoio operacional aos agentes civis.














