Operação mira gatonet do TCP com 8 mandados na Ilha do Governador

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou a Operação Sinal Livre na manhã desta terça-feira (1º) na comunidade Boogie Woogie, na Ilha do Governador, Zona Norte da capital. Os agentes cumprem oito mandados de busca e apreensão contra um esquema de monopólio ilegal de internet controlado pela facção Terceiro Comando Puro (TCP).

Polícia Civil combate monopólio clandestino de internet na Ilha do Governador

De acordo com as investigações da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), o grupo criminoso expulsava as operadoras regulares de telecomunicações do bairro. Com isso, os moradores eram forçados a contratar apenas os serviços de dois provedores clandestinos associados ao tráfico de drogas local.

A apuração aponta que técnicos de grandes empresas eram ameaçados e impedidos de entrar na comunidade desde pelo menos 2022. Paralelamente, os criminosos cortavam os cabos de fibra óptica e vandalizavam os equipamentos das concessionárias legais para interromper o sinal e garantir o domínio do serviço na região.

Durante as diligências desta terça-feira, os policiais apreenderam computadores, telefones celulares, registros financeiros, documentos e equipamentos de transmissão. Todo o material recolhido passará por perícia técnica para mapear a carteira de clientes, o fluxo financeiro e a divisão de tarefas entre os empresários e os traficantes da facção.

Como funcionava o esquema criminoso no Boogie Woogie

Segundo a DDSD, o esquema contava com uma divisão clara de papéis para garantir o controle absoluto da rede na comunidade. Três homens já foram identificados como peças-chave da engrenagem. Um deles administrava um dos provedores investigados, outro gerenciava duas empresas do setor e o terceiro era o responsável direto por vigiar os acessos e proibir a entrada de funcionários das operadoras oficiais.

A investigação revelou também que os provedores ilegais usavam cabos e aparelhos roubados das próprias concessionárias legítimas. Esses materiais são de uso operacional exclusivo das grandes empresas e não podem ser vendidos no mercado comum. Em um dos episódios apurados, funcionários de uma empresa clandestina foram até um condomínio residencial acompanhados por homens armados para obrigar a contratação do serviço sob grave ameaça.

Os investigados podem responder pelos crimes de receptação, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço de telecomunicação e associação criminosa. A Polícia Civil continua com as apurações para identificar se o mesmo modelo de extorsão está sendo replicado por provedores em outros bairros da Zona Norte e da Baixada Fluminense.

O que muda na rotina de quem mora na região

Para quem vive no Boogie Woogie e em bairros vizinhos da Ilha do Governador, as operações policiais costumam provocar impactos temporários no trânsito e na rotina das ruas principais. Motoristas e passageiros de ônibus que passam pelas vias de acesso à comunidade devem ficar atentos à movimentação de viaturas da Polícia Civil ao longo do dia.

Apesar do cumprimento dos mandados de busca, o atendimento em postos de saúde, creches e escolas da rede municipal na região segue a programação normal, mas a Polícia Militar reforçou o patrulhamento preventivo no entorno. Quem estiver com o sinal de internet cortado por conta do vandalismo praticado pelas quadrilhas deve aguardar a liberação da área para que as concessionárias regulares consigam enviar equipes de reparo com segurança.

Como denunciar o sinal clandestino e extorsões

Quem mora na Ilha do Governador ou em qualquer outra região do Rio e sofre com cobranças indevidas, ameaças ou falta de opção de internet por interferência do crime organizado pode enviar informações de forma totalmente anônima. O apoio da população é fundamental para ajudar os investigadores a mapear os pontos de bloqueio.

O Disque Denúncia do Rio de Janeiro atende pelo telefone (21) 2253-1177 ou pelo número 0300 253 1177 para quem liga de fora da capital. O serviço funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, com garantia de sigilo absoluto. Também é possível fazer o relato pelo aplicativo “Disque Denúncia RJ” ou pelo WhatsApp do serviço no número (21) 2253-1177.

O que fazer se a sua operadora for bloqueada

Se os técnicos da sua operadora oficial alegarem falta de segurança para realizar reparos ou instalações no seu endereço, o morador deve primeiro registrar o protocolo de atendimento no suporte da própria empresa. Caso o problema não seja resolvido devido a bloqueios territoriais, o consumidor pode registrar a ocorrência diretamente na Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD).

O registro de ocorrência pode ser feito presencialmente na sede da unidade ou em qualquer delegacia da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Para casos de interrupção de serviços essenciais sem emprego de violência direta contra o morador, também é possível utilizar a plataforma da Delegacia Online (dedic.pcerj.rj.gov.br). Guarde os comprovantes de residência e os números de protocolo das operadoras para anexar ao relato.

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