O Rock in Rio 2026 termina mas o turismo do Rio deve continuar

Rock in Rio 2026

Há uma cena que se repete a cada edição do Rock in Rio. Milhares de pessoas chegam à cidade com uma banda ou um cantor na cabeça e, poucos dias depois, percebem que vieram para muito mais do que assistir a um show.

É nesse momento que o festival começa a fazer diferença para o turismo.

O Rock in Rio deve movimentar cerca de R$ 3,36 bilhões na economia do Rio de Janeiro em 2026, segundo projeção da Fundação Getulio Vargas. A estimativa considera gastos com hospedagem, alimentação, transporte, passeios e outros serviços. O evento também deve gerar aproximadamente 33,9 mil postos de trabalho, entre vagas diretas e indiretas.

Os números chamam atenção, mas não contam a história inteira. O principal valor do festival está na capacidade de criar um motivo para viajar. Muita gente não viria ao Rio neste período se não tivesse comprado um ingresso. Depois que chega, precisa dormir, comer, circular, contratar transporte e decidir o que fazer entre um show e outro. O dinheiro acaba circulando por vários setores da cidade.

A hotelaria já sente esse movimento. Na primeira etapa do festival, entre 4 e 7 de setembro, a ocupação média chegou a 77,6%, de acordo com o HotéisRIO. Em Copacabana e no Leme, dois dos bairros mais procurados pelos visitantes, o índice alcançou 85,4% na véspera do primeiro fim de semana. A procura por hospedagem mais que dobrou em relação à edição de 2024, enquanto as buscas por voos nacionais cresceram 16%.

Também existe um efeito importante na imagem do destino. O Rio aparece nas redes sociais, nas reportagens e nas conversas de pessoas que talvez nunca tivessem colocado a cidade no roteiro. Para o visitante estrangeiro, o festival pode ser a porta de entrada para uma viagem pelo Brasil. Para o turista brasileiro, pode ser a desculpa para rever a cidade ou conhecê-la pela primeira vez.

Uma pesquisa divulgada nesta edição aponta a emissão de 14.856 passagens aéreas internacionais com destino ao Rio durante o período do evento. O volume é 7,5% maior que o registrado em 2024. É um sinal de que a força de um grande festival ultrapassa os limites da Cidade do Rock.

Mas o que acontece depois que os shows terminam?

O desafio do Rio não é apenas lotar hotéis durante sete dias. É fazer com que parte desse público fique mais tempo, conheça outros bairros, visite museus, experimente a gastronomia local, faça passeios e volte em outra época do ano. Para isso, a cidade precisa apresentar seus atrativos de maneira organizada e acessível, com informação clara, transporte funcionando e serviços preparados para receber bem.

O turista que vem para o Rock in Rio não está interessado somente em música. Ele também pode querer praia, história, arquitetura, natureza, gastronomia ou vida noturna. O festival serve como ponto de partida. Cabe ao destino mostrar todo o restante.

Há ainda uma questão importante sobre a distribuição desse movimento. Grandes eventos costumam concentrar benefícios em determinados bairros e setores, enquanto os custos podem ser sentidos por toda a cidade, na forma de trânsito, pressão sobre os serviços e aumento de preços. Quanto mais fornecedores locais, guias, restaurantes, pequenos negócios e profissionais do turismo participarem dessa cadeia, maior será o retorno para os moradores.

O Rock in Rio é uma grande celebração, mas também mostra como cultura e entretenimento conseguem gerar viagens, empregos, consumo e visibilidade internacional. Mostra ainda que o turista precisa de uma razão para escolher um lugar.

Durante o festival, essa razão tem nome, data e ingresso. Depois dele, o Rio precisa oferecer outros motivos para que o visitante volte.

Porque o Rock in Rio termina mas q oportunidade turística não deve terminar com ele.

Bruno Mann é empresário e CEO da Brazil Connection Turismo Receptivo

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