Novo presidente da Cedae, Rafael Rolim anunciou um corte de cerca de R$ 500 milhões em contratos de obras e serviços da companhia. A medida representa uma redução de 25% no orçamento da estatal nessa área e pode chegar a 35% nos próximos 30 dias, segundo a nova gestão.
Rolim assumiu a presidência da Companhia Estadual de Águas e Esgotos em 16 de abril e afirmou ter encontrado um cenário de alta nas despesas e queda nas receitas. O objetivo, segundo ele, é impedir que a empresa chegue a 2027 com problemas financeiros mais graves.
Além dos cortes em obras e serviços, a Cedae também reduziu aproximadamente R$ 5 milhões em gastos anuais com funcionários extraquadros, comissionados e terceirizados. O número de comissionados caiu de 134 para 87, enquanto cerca de cem terceirizados foram dispensados.
A nova gestão também realiza auditorias em contratos firmados nos 12 meses anteriores à posse de Rolim. Segundo o presidente, foram identificados cerca de R$ 1 bilhão em contratos feitos por dispensa ou inexigibilidade de licitação, além de pregões e atas de registro de preços realizados fora da companhia.
Outra frente de apuração envolve as aplicações financeiras da empresa, que somam R$ 2,2 bilhões. Entre os investimentos analisados estão mais de R$ 200 milhões aplicados no Banco Master, que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025.
Rolim afirmou que encaminhou ao conselho de administração uma mudança na política de investimentos da Cedae, com o objetivo de tornar as aplicações mais conservadoras e reduzir riscos para a companhia.
A estatal também investiga o acordo feito pelo governo anterior com a Águas do Rio, que reduziu em 24,13% o preço da água captada e tratada pela Cedae. A atual gestão afirma rejeitar qualquer responsabilidade da companhia nas informações que deram origem ao projeto de concessão.
Segundo Rolim, os cortes não serão lineares e atingem áreas como operação, tecnologia da informação e setor financeiro. Obras do Novo Guandu, já licitadas, não foram afetadas pelas medidas anunciadas.
A Cedae também revisa o balanço financeiro de 2025, que deveria ter sido entregue à Comissão de Valores Mobiliários em março. A nova gestão afirma ter encontrado inconsistências nos números e prevê entregar o documento até o fim deste mês.
Durante reunião com funcionários, Rafael Rolim afirmou que a empresa precisa reforçar a governança e acompanhar cada gasto com atenção. Segundo dados apresentados pela gestão, os contratos com terceiros cresceram 116% entre 2023 e 2026, enquanto os gastos com pessoal subiram 17%.
Sem ajustes, a projeção apresentada pela companhia indica que a Cedae poderia fechar 2026 ainda no positivo, mas entrar em 2027 com resultado negativo de R$ 387 milhões. O novo presidente da Cedae afirma que as medidas buscam mudar esse cenário antes que o problema avance.














