A Nova taxa turística em Angra começa em janeiro e gera polêmica entre moradores, empresários e visitantes da Costa Verde. Prevista em lei municipal que entra em vigor na virada do ano, a cobrança valerá para quem visitar tanto o continente quanto as 365 ilhas do município, incluindo a Ilha Grande, principal destino turístico da cidade.
A Prefeitura de Angra dos Reis afirma que a medida é necessária para reforçar investimentos em saneamento, limpeza urbana e infraestrutura turística. Segundo a administração municipal, apenas o custo anual para a coleta de lixo na Ilha Grande se aproxima de R$ 5 milhões, valor considerado alto diante da arrecadação atual do setor.
A cobrança será operacionalizada pela TurisAngra, que deve iniciar a taxação já no dia 1º para turistas que utilizam serviços de embarcações comerciais e transatlânticos. A prefeitura ainda avalia como será a exigência da taxa para visitantes que chegam por outros meios, como embarcações particulares.
Pelas regras da Taxa de Turismo Sustentável, o valor inicial será de dez Ufirs, o equivalente a R$ 47,50 em valores atuais, para quem visitar as ilhas. Para quem permanecer apenas no continente, a cobrança será de metade desse valor. A lei prevê aumentos progressivos nos próximos anos, chegando a 20 Ufirs a partir de 2028, além de uma cobrança diária para estadias mais longas.
Na Ilha Grande, moradores temem que a nova taxa afaste turistas e reduza o consumo no comércio local. Representantes da associação de moradores da Praia do Abraão alertam que o custo extra pode pesar no orçamento de famílias e visitantes, principalmente aqueles que viajam em grupo ou permanecem vários dias no destino.
Ambientalistas também criticam o modelo adotado. Eles defendem que a taxa deveria ter valor simbólico ou voluntário e questionam a ausência de um fundo específico que garanta a aplicação direta dos recursos arrecadados na própria ilha. Para especialistas, a cobrança isolada não resolve problemas estruturais sem controle do número de visitantes.
A polêmica chegou à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, onde um deputado estadual ingressou com ação popular para tentar suspender o tributo. O processo ainda está em tramitação, e a taxa segue prevista para começar a ser cobrada em janeiro.
Enquanto o debate continua, turistas já avaliam destinos alternativos na região, como Paraty e cidades do litoral paulista. A prefeitura, por sua vez, sustenta que a taxa segue modelos adotados em outros destinos turísticos do Brasil e do mundo e que os recursos serão essenciais para manter a qualidade ambiental e os serviços públicos de Angra dos Reis.














