O jornalista Carlos Monforte morreu nesta segunda-feira, aos 77 anos. Ele marcou a história da televisão brasileira como um dos primeiros a atuar no modelo de âncora, apresentando e editando os principais telejornais do país. A causa da morte ainda não foi divulgada pela família.
A trajetória de Carlos Monforte se confunde com a evolução do próprio jornalismo na TV. Com mais de 40 anos de carreira dedicada à notícia, ele virou um rosto muito conhecido do público que acorda cedo ou busca se informar sobre os rumos da política e da economia nacional.
Pioneiro no comando e na edição dos grandes telejornais da TV
Nascido na cidade de Santos, no litoral de São Paulo, Carlos Monforte começou o seu caminho no jornalismo impresso. Ele trabalhou no jornal A Tribuna antes mesmo de se formar na faculdade, o que aconteceu em 1972. Pouco depois, atuou como repórter especial do jornal O Estado de S. Paulo entre 1973 e 1978. Nesse período inicial, ele buscou aperfeiçoamento profissional no exterior, fazendo cursos de especialização na Universidade de Navarra, na Espanha, e na Fundação Beauve Marie, na França.
O ingresso na TV Globo ocorreu em 1978, após convite feito por profissionais da redação paulista. A transição do papel para as câmeras exigiu adaptação intensa. O próprio jornalista contava que levou cerca de dois anos para aprender a linguagem da televisão, um veículo com ritmo totalmente diferente do jornal impresso. Na reportagem de rua, cobriu fatos marcantes da história brasileira para o Jornal Nacional e para o Fantástico, incluindo as greves dos metalúrgicos no ABC paulista no final dos anos 1970.
Em 1982, assumiu a editoria de Política do Jornal da Globo e passou a apresentar o Bom Dia São Paulo. No ano seguinte, em 1983, veio um dos passos mais importantes de sua carreira: ele ajudou a criar o Bom Dia Brasil. Monforte assumiu as funções de editor-chefe e apresentador do novo telejornal matutino, posto em que permaneceu por nove anos seguidos.
O impacto do trabalho de Monforte no jornalismo da TV
Carlos Monforte ajudou a consolidar no Brasil o conceito de âncora de telejornal. Até então, era comum que o apresentador apenas lesse os textos preparados por uma redação. Monforte defendia e praticava um modelo diferente, no qual o jornalista participava ativamente da apuração, da escolha das reportagens e da definição do conteúdo que iria ao ar.
Para ele, o âncora brasileiro tinha a missão de ser o próprio editor-chefe do programa, comandando a sequência dos blocos e decidindo o que era prioritário para o leitor e telespectador. Durante sua passagem pelo Bom Dia Brasil, realizou centenas de entrevistas ao vivo com políticos, ministros e grandes empresários, traduzindo assuntos complexos de economia para o público do início da manhã.
Atuação em Brasília e marcante passagem pela TV fechada
Depois de um período afastado da TV nos anos 1990 para estruturar a área de comunicação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Monforte retornou à Globo como repórter especial em Brasília. Na capital federal, cobriu os principais fatos da política nacional, realizando entrevistas com o então presidente Fernando Henrique Cardoso e acompanhando investigações importantes, como a CPI do Narcotráfico e debates sobre reformas econômicas.
Em 1998, iniciou uma longa trajetória na GloboNews. No canal de notícias da TV fechada, comandou o programa Espaço Aberto e esteve à frente de sabatinas sobre segurança pública, reforma tributária e meio ambiente. No final dos anos 2000, assumiu a coordenação da emissora em Brasília e apresentou o Jornal das Dez, tornando-se uma referência de credibilidade na cobertura dos bastidores do poder.
O que já se sabe sobre as homenagens e despedida
Até o momento, a família de Carlos Monforte e os veículos onde ele trabalhou não divulgaram detalhes sobre o local e os horários do velório e do sepultamento. O espaço segue aberto para atualização assim que os dados forem confirmados parentes do jornalista.
Nas redes sociais e entre colegas de profissão, as manifestações destacam a generosidade do veterano no ensino a novos repórteres e a sua contribuição decisiva para moldar o formato de jornalismo dinâmico e opinativo que é praticado até hoje na televisão brasileira.
Quem responde pelas informações oficiais
As informações sobre o falecimento e o histórico de Carlos Monforte foram confirmadas por fontes ligadas à família do jornalista e pelo acervo de memória da TV Globo, emissora onde o profissional trabalhou por mais de três décadas. Novas notas oficiais sobre os atos de despedida devem ser emitidas pelas associações de imprensa ao longo do dia.














