Morre o ator Roberto Maya aos 91 anos em Campinas; veja trajetória

O ator, dublador e apresentador Roberto Maya morreu na noite de terça-feira (27), aos 91 anos, em Campinas, interior de São Paulo. Ele estava internado no Hospital Beneficência Portuguesa e teve insuficiência respiratória grave.

A confirmação do falecimento partiu da família e da direção do SBT, emissora onde o comunicador marcou a história da televisão brasileira. Maya foi a voz e o rosto de grandes reportagens que chocaram o país no fim do século passado.

Trajetória marcante no teatro, nas novelas e no jornalismo brasileiro

Roberto Maya nasceu em Campinas no ano de 1935. Ele descobriu a vocação artística ainda jovem e decidiu se aprofundar nos palcos ao ingressar na tradicional Escola de Arte Dramática (EAD), da Universidade de São Paulo (USP). A formação sólida abriu portas imediatas no mercado paulista.

Sua carreira profissional começou na década de 1950. No início, Maya atuou fortemente nos bastidores do rádio e em estúdios de dublagem, emprestando seu timbre grave e seguro para produções internacionais. Com a expansão dos aparelhos de televisão pelos lares brasileiros, migrou rapidamente para a teledramaturgia.

Nas novelas, Roberto Maya construiu um currículo invejável em praticamente todas as grandes emissoras do país. Ele passou pela TV Tupi, TV Excelsior, Rede Bandeirantes, TV Globo e SBT. Esteve em clássicos populares como A Pequena Órfã, gravada em 1968, e a primeira versão de Simplesmente Maria, exibida em 1970.

O público carioca também acompanhou o talento do veterano em sucessos da TV Globo ao longo dos anos 1970 e 1980. Ele atuou em folhetins como Bravo!, Éramos Seis, O Espantalho, O Profeta, Final Feliz e Bambolê. Já nos anos 2000, voltou a se destacar na tela global ao viver o personagem Xavier em Paraíso Tropical (2007) e Milton na trama de Desejo Proibido (2008).

A revolução do programa Documento Especial na televisão

Mesmo com uma carreira sólida na atuação, foi no comando do jornalismo documental que Roberto Maya alcançou enorme popularidade nacional. Entre 1983 e 1989, ele foi o titular da bancada do Jornal da Manchete, no Rio de Janeiro. Sua presença austera combinava com o estilo elegante do canal da família Bloch.

Em 1989, o diretor Nelson Hoineff criou o programa Documento Especial: Televisão Verdade. Maya assumiu a apresentação e deu o tom dramático e poético que a atração exigia. O formato colocava a câmera em realidades marginalizadas, discutindo temas tabus com estética crua, trilha sonora marcante e textos profundos.

O programa estreou na Manchete e migrou para o SBT em 1992, permanecendo no ar até 1995 sob a liderança do apresentador. Nessa fase, a atração venceu por três vezes consecutivas o Troféu Imprensa de melhor programa jornalístico. Mais tarde, entre 1997 e 1998, Maya ainda comandou nova temporada da produção na Rede Bandeirantes.

Homenagens e despedida de colegas de trabalho

A direção do Sistema Brasileiro de Televisão emitiu comunicado oficial lamentando a perda do artista e manifestando pesar à família. Na mensagem, a emissora destacou a postura ética e o profissionalismo do apresentador durante os anos em que ele liderou a equipe jornalística.

O último trabalho audiovisual do artista foi registrado em 2015, quando fez uma participação especial na série dramática Psi, exibida pelo canal por assinatura HBO. Desde então, Roberto Maya vivia de forma recolhida em sua cidade natal, acompanhado pelos parentes mais próximos.

Colegas de profissão e profissionais de imprensa relembraram a elegância do comunicador nas redes sociais. Maya era considerado uma referência de transição bem-sucedida entre o meio artístico e o jornalismo, algo raro na comunicação brasileira.

Serviço e informações sobre as homenagens

Até a publicação desta reportagem, a família do apresentador não havia divulgado detalhes sobre o local do velório e o sepultamento em Campinas. Os trâmites fúnebres permanecem restritos aos parentes e amigos íntimos no interior de São Paulo.

Admiradores e telespectadores que desejarem enviar mensagens de condolências à família podem procurar os canais de atendimento do SBT ou manifestar homenagens por meio das páginas públicas dedicadas à memória da teledramaturgia nacional na internet.

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