Morre aos 90 anos Peter Watkins, diretor premiado de “O Jogo da Guerra”

Peter Watkins

O diretor britânico Peter Watkins morreu aos 90 anos em um hospital de Bourganeuf, na França, onde morava há mais de duas décadas. A morte foi confirmada pela família na última quinta-feira (30). Em nota, os familiares descreveram o cineasta como alguém que travou “uma longa e às vezes solitária luta” em defesa de uma arte livre, crítica e comprometida com a verdade.

Considerado um dos nomes mais inovadores do cinema político e experimental do século 20, Peter Watkins ganhou destaque internacional nos anos 1960 ao misturar a linguagem documental com a ficção em narrativas de forte impacto social. Seu filme mais célebre, O Jogo da Guerra (The War Game, 1965), retrata de forma realista um ataque nuclear à Grã-Bretanha e foi inicialmente proibido pela BBC por ser considerado “excessivamente assustador” para o público.

Apesar da censura, o longa conquistou reconhecimento mundial e venceu o Oscar de Melhor Documentário em 1967, tornando-se um marco do cinema político britânico. A emissora só exibiu o filme duas décadas depois, em 1985, em ocasião do aniversário do bombardeio de Hiroshima.

Nascido em 1935, em Surrey, no Reino Unido, Watkins serviu ao Exército britânico antes de estudar na Royal Academy of Dramatic Art (RADA). Ingressou na BBC em 1962, onde desenvolveu uma abordagem pioneira ao criar Culloden (1964) — uma recriação da batalha de 1746 filmada como se fosse uma reportagem de guerra contemporânea, recurso que se tornaria sua marca registrada.

Ao longo da carreira, o diretor se manteve crítico à indústria cinematográfica tradicional e ao controle exercido pelos meios de comunicação. Essa postura o levou a trabalhar de forma independente em diversos países, sempre buscando o diálogo entre o cinema e a reflexão política.

Seu último longa, La Commune (Paris, 1871), lançado em 2000, reconstitui a insurreição operária francesa com uma combinação de entrevistas fictícias e estética televisiva, servindo como crítica à manipulação da informação e ao papel da mídia nas crises sociais.

Reconhecido por cineastas e estudiosos como um visionário da linguagem audiovisual, Peter Watkins deixa um legado de filmes que desafiam convenções e questionam estruturas de poder. Sua obra permanece como referência para novas gerações de documentaristas e realizadores comprometidos com o impacto social do cinema.

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