O artista marajoara Mestre Damasceno morre aos 71 anos em Belém, no Pará, na madrugada desta terça-feira (26). Internado há dois meses, ele tratava complicações causadas por um câncer em estágio avançado, que atingiu pulmão, fígado e rins. A morte foi confirmada por familiares.
Damasceno Gregório dos Santos nasceu na comunidade quilombola do Salvá, no arquipélago do Marajó, e se tornou referência da cultura popular amazônica. Criador do Búfalo-Bumbá de Salvaterra, uniu teatro popular, carimbó e elementos da tradição quilombola. Mesmo após perder a visão aos 19 anos em um acidente de trabalho, seguiu sua trajetória artística, deixando um legado de resistência e criatividade.
Ao longo da carreira, o mestre recebeu importantes reconhecimentos, como o título de Mestre da Cultura Popular do Estado do Pará, a honraria do Iphan em 2017 e, em 2023, a Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo Ministério da Cultura. Também foi homenageado na 28ª Feira Pan-Amazônica do Livro, que lançou a obra Mestre Damasceno e as Cantorias do Marajó, voltada ao público infanto-juvenil.
Com mais de 400 composições e seis álbuns gravados, Damasceno se destacou não apenas na cultura paraense, mas também no Carnaval do Rio. Em 2023, desfilou pela Paraíso do Tuiuti, em um samba-enredo inspirado na chegada dos búfalos ao Marajó. Dois anos depois, foi um dos autores do samba da Grande Rio, que recebeu nota máxima e conquistou prêmios.
O governador do Pará, Helder Barbalho, decretou luto oficial e lamentou a perda em nota nas redes sociais. “Seu legado na cultura paraense é imensurável e seguirá tocando gerações”, afirmou.
A morte de Mestre Damasceno coincidiu com o Dia Municipal do Carimbó em Belém, reforçando o simbolismo de sua trajetória como um dos maiores representantes da cultura popular do Norte do Brasil.














