Mesmo monitorado por tornozeleira, Gabriel Monteiro atua em operação contra bingo no Rio

Gabriel Monteiro

Gabriel Monteiro atua em operação contra bingo clandestino no Rio de Janeiro mesmo estando monitorado por tornozeleira eletrônica. O ex-vereador e ex-policial militar divulgou nas redes sociais um vídeo em que aparece participando de uma ação da Polícia Militar em um estabelecimento de jogos de azar localizado em Parada de Lucas, na Zona Norte da capital.

As imagens, publicadas no último dia 19, mostram Gabriel Monteiro ajudando agentes do 16º BPM a arrombar a porta do imóvel e, posteriormente, a contabilizar o dinheiro apreendido. O ex-parlamentar aparece usando marreta e chute para forçar a entrada no local, além de manusear materiais recolhidos durante a ação.

No vídeo, Gabriel faz declarações sobre denúncias recebidas envolvendo o bingo clandestino. Eu recebi denúncias de torturas de pessoas humildes dentro desse bingo. A contravenção no Rio de Janeiro não é apenas um joguinho. É uma máfia sangrenta. Uma das piores máfias da América Latina, que ninguém ousa tocar neles, afirmou.

A atuação registrada chamou a atenção do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. A Promotoria de Justiça junto à Auditoria Militar encaminhou o vídeo à Corregedoria da PM e solicitou a abertura de procedimento para apurar a participação dos policiais militares nos fatos.

Procurada, a Polícia Militar informou apenas que a equipe do 16º BPM foi até a Rua Cordovil para verificar denúncia de jogos de azar e que, no local, encontrou o denunciante, Gabriel Monteiro. A corporação não esclareceu se foi instaurada sindicância interna.

A ação resultou na apreensão de 139 máquinas caça-níquel, 46 pacotes de cartelas de bingo, 10 máquinas de cartão, um notebook e cerca de R$ 18 mil em espécie. Duas pessoas foram levadas à 38ª DP para prestar esclarecimentos. Segundo a Polícia Civil, as investigações seguem em fase de coleta de depoimentos e diligências complementares.

Gabriel Monteiro foi solto em março de 2025 após permanecer preso por três anos. Ele responde em liberdade a um processo por estupro e cumpre medidas cautelares impostas pela Justiça, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica. Em 2022, teve o mandato de vereador cassado e se tornou inelegível por oito anos.

A defesa do ex-vereador negou que ele tenha realizado qualquer operação policial. Em nota, o advogado Sandro Figueiredo afirmou que Monteiro atuou apenas como denunciante e auxiliou um único policial designado para a ocorrência. Na gravação, Gabriel apenas executa o que lhe é solicitado e determinado pelo policial responsável, declarou.

O advogado também sustentou que não houve usurpação de função pública, citando o artigo 301 do Código de Processo Penal, que autoriza qualquer cidadão a efetuar prisão em flagrante. O caso segue sob análise das autoridades competentes.

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