As mensagens trocadas por Larice de Paula, conhecida como Japinha do CV, revelam seus últimos momentos durante a megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na última terça-feira (28). Apontada como uma das combatentes do Comando Vermelho, ela enviou áudios e textos a uma amiga enquanto estava sob cerco policial.
“Eles tão aqui em cima de nós. A bala tá comendo. Helicóptero tá aqui rodando”, escreveu Larice em uma das últimas mensagens enviadas pelo WhatsApp. Pouco tempo depois, ela foi morta com um tiro de fuzil na cabeça, segundo informações da Polícia Civil.
De acordo com o portal Metrópoles, Larice e a amiga chegaram a fazer uma chamada de vídeo de três minutos, antes de a jovem relatar o avanço da tropa policial. A interlocutora tentou acalmá-la: “Fica onde você tá, para de maluquice. Tá seguro aí?” — mas logo depois perdeu o contato.
Conhecida também como Penélope e Musa do Crime, Larice era considerada uma figura de confiança da facção e atuava na linha de frente do tráfico, defendendo rotas e pontos estratégicos. Nas redes sociais, costumava publicar fotos armada, vestindo roupas camufladas, o que ajudou a consolidar sua imagem como símbolo do grupo nas comunidades da Penha e do Alemão.
A morte da Japinha ocorreu durante a Operação Contenção, considerada a mais letal da história do estado. A ação mobilizou cerca de 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar e contou com apoio do Gaeco, tendo como alvo bases logísticas e lideranças do Comando Vermelho.
Segundo o balanço do governo fluminense, a operação resultou em 121 mortos, sendo 117 suspeitos e quatro policiais. Destes, 63 corpos foram encontrados por moradores em uma área de mata na madrugada do dia seguinte.
Nesta quinta-feira (30), familiares da jovem pediram respeito ao luto e solicitaram que as fotos do corpo deixassem de ser compartilhadas. “Pessoal, aqui é a irmã da Penélope. […] Por favor, parem de postar as fotos dela morta. Eu e minha família estamos sofrendo muito”, escreveu a irmã nas redes sociais.
A megaoperação segue sob investigação, e entidades de direitos humanos pedem apuração independente sobre a atuação policial e as circunstâncias das mortes registradas.















