O Complexo da Maré reinaugurou nesta quinta-feira (5) o Memorial das Vítimas da Violência Armada, na Praça da Paz. O espaço presta homenagem a moradores que perderam a vida em confrontos armados e operações policiais na região da Zona Norte.
A estrutura reúne azulejos pintados em tons de azul e branco com os nomes de quem teve a trajetória interrompida pelos tiroteios frequentes no conjunto de favelas. A intervenção busca transformar a dor das famílias em um ponto permanente de memória e respeito dentro do bairro.
Memorial das Vítimas da Violência Armada ganha velário e novos nomes
Criado originalmente em 2022 a partir de uma proposta da artista plástica Laura Taves, o monumento contava inicialmente com 127 peças cerâmicas. Com a reforma entregue nesta semana, o painel recebeu mais 18 azulejos, alcançando a marca de 145 moradores homenageados.
As cerâmicas não são produzidas apenas por artistas profissionais. Mães, pais, irmãos e amigos das vítimas participam diretamente da pintura das peças, escrevendo os nomes de seus parentes. Essa participação transforma o local em um espaço coletivo de luto e acolhimento.
Além da ampliação das homenagens, a Praça da Paz passou por melhorias estruturais completas. As equipes comunitárias reformaram os canteiros e os jardins, instalaram novos bancos para descanso e montaram um velário seguro para que os familiares possam acender velas em memória dos parentes que se foram.
O que já se sabe sobre o impacto dos tiroteios na região
A violência armada impõe uma rotina pesada a quem precisa sair cedo para trabalhar ou levar os filhos para a escola na Maré. Dados levantados pela organização não governamental Redes da Maré mostram que somente as ações e operações policiais provocaram 160 mortes entre os anos de 2016 e 2025.
Esse número não inclui as vítimas de confrontos travados diretamente entre grupos criminosos rivais. A instalação fica posicionada exatamente em uma área histórica de divisa entre duas comunidades: a Nova Holanda e a Baixa do Sapateiro.
Por se tratar de uma divisa sensível, o ponto da praça carrega um simbolismo forte para a vizinhança. A presença do memorial marca uma tentativa constante dos moradores de transformar uma fronteira de medo em um ambiente de convivência pacífica e convivência comunitária.
Como fica a programação de debates e homenagens
Junto com a entrega da reforma na praça, a Maré recebe uma agenda de atividades voltada para discutir a segurança pública e os direitos das famílias atingidas. A programação começou nesta quinta-feira e vai até o sábado (7).
O encontro reúne pesquisadores, lideranças comunitárias e parentes das vítimas em um seminário dedicado aos temas de reparação, busca por justiça e preservação da história local. A meta é pressionar os órgãos públicos por mudanças práticas na forma de patrulhamento e atuação policial no território.
O evento reforça a importância do direito ao luto, permitindo que as mães e vizinhos falem sobre suas perdas e construam propostas que cobrem mais respeito e protocolos rígidos durante operações armadas nas comunidades cariocas.
Quem responde pela ação e como apoiar o projeto
A iniciativa do memorial e a articulação dos encontros são coordenadas pela organização Redes da Maré, entidade civil que atua no território há décadas monitorando violações de direitos humanos e prestando auxílio jurídico e psicossocial aos moradores.
Quem deseja conhecer o espaço, participar dos debates ou buscar apoio institucional pode procurar a sede da instituição ou acompanhar os canais oficiais do projeto:
- Endereço da sede da Redes da Maré: Rua Sargento Silva Nunes, número 1012, Nova Holanda, Maré. Atendimento de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h.
- Contato telefônico e informações: Telefone institucional (21) 3105-5531.
- Local da intervenção: Praça da Paz, área de divisa entre a Nova Holanda e a Baixa do Sapateiro, com visitação livre para a comunidade.
Familiares que enfrentam perdas decorrentes de intervenções armadas podem acionar a assessoria jurídica e os grupos de acolhimento mantidos pelas equipes do projeto no próprio território.
Como denunciar abusos e violência de forma anônima
Moradores que presenciarem irregularidades em abordagens, violações de direitos ou situações de risco na comunidade contam com canais oficiais independentes para formalizar reclamações sem se identificar:
- Disque Denúncia do Rio de Janeiro: Telefone 2253-1177, com funcionamento 24 horas por dia e garantia total de sigilo.
- Plantão do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ): Canal de atendimento ao cidadão para violações em operações policiais pelo Disque 127 ou pelo número de WhatsApp institucional da Ouvidoria (21) 99366-3100.
- Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro: O Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos (Nudedh) atende vítimas e familiares de violência de Estado pelo telefone (21) 2332-6186 ou pelo aplicativo oficial da Defensoria RJ.
Foto: © Patrick Marinho/Divulgação













