A manutenção preventiva no Sistema Guandu já provoca o desabastecimento de água em diversos bairros da cidade do Rio de Janeiro e de municípios da Baixada Fluminense. O serviço interrompe a produção da estação de tratamento e afeta milhões de moradores que dependem da rede principal.
Quem acorda cedo para trabalhar ou preparar os filhos para o colégio já encontra torneiras secas em regiões populosas. Técnicos atuam nas tubulações e estruturas elétricas para revisar o sistema antes da chegada do verão.
Manutenção no Sistema Guandu reduz fornecimento e altera a rotina da população
A Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) realiza anualmente essa paralisação para vistoriar motores, bombas e adutoras da Estação de Tratamento de Águas do Guandu, localizada em Nova Iguaçu. A medida é necessária para reduzir o risco de pane no período de calor extremo, quando o consumo dispara em toda a Região Metropolitana.
Com a estação operando em capacidade reduzida ou totalmente parada durante o serviço, a água tratada deixa de chegar aos reservatórios das concessionárias que cuidam da distribuição de rua. As empresas Águas do Rio, Iguá e Rio+Saneamento dependem desse volume bruto para abastecer as residências. Quando a captação para, a pressão nas redes cai imediatamente nas pontas de linha e em partes mais altas.
Moradores de bairros das zonas Norte e Oeste da capital, além de cidades vizinhas como Duque de Caxias, Belford Roxo, São João de Meriti e Nova Iguaçu, já relatam falta total de abastecimento. Quem não tem cisterna ou caixa de grande volume enfrenta dificuldade imediata para tarefas básicas de limpeza, banho e cozinha.
Quais áreas e municípios sentem mais o impacto?
O desabastecimento atinge áreas extensas da capital fluminense, especialmente os bairros da Zona Norte e da Zona Oeste, onde as redes demoram mais para recuperar a pressão. Comunidades e ruas situadas em morros sentem o corte primeiro e costumam ser as últimas a ter a rede restabelecida por completo.
Na Baixada Fluminense, municípios inteiros enfrentam redução de pressão ou corte. Cidades como Nova Iguaçu, Nilópolis, Mesquita, Duque de Caxias e Belford Roxo têm o cronograma diretamente alterado. Serviços públicos essenciais, como creches e postos de saúde de atenção básica, adaptam a rotina para evitar o cancelamento de atendimentos.
O comércio de alimentação e pequenos negócios locais também sofrem o impacto nas primeiras horas do corte. Bares, restaurantes e padarias dependem de reservatórios extras para continuar funcionando sem interromper o serviço aos trabalhadores.
Qual o prazo para a água voltar normalmente?
A Cedae informa que a manutenção física nas estruturas da estação costuma durar cerca de vinte e quatro horas consecutivas. No entanto, a retomada da água na torneira de casa não acontece na mesma hora em que os motores voltam a funcionar.
Após o término das obras e o religamento do sistema principal, as redes de distribuição precisam ser pressurizadas aos poucos para evitar o rompimento de canos antigos nas ruas. Por causa dessa dinâmica, o equilíbrio total da rede pode levar de quarenta e oito a setenta e duas horas após a conclusão da intervenção.
Em pontos elevados, finais de linha ou ruas com histórico frequente de baixa pressão, a estabilização completa pode levar até quatro dias úteis. A recomendação dos órgãos de saneamento é economizar a reserva da caixa d’água e adiar atividades que exijam grande volume, como lavar calçadas e carros.
Como pedir caminhão-pipa ou registrar reclamação?
Moradores que enfrentam a falta total de água e precisam de atendimento emergencial devem procurar a concessionária responsável pelo seu bairro ou município. Serviços essenciais, como hospitais, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e asilos, têm atendimento prioritário para o envio de caminhões-pipa.
Para quem mora nas áreas atendidas pela Águas do Rio (partes da capital e grande parte da Baixada), o contato é feito pelo telefone e WhatsApp 0800 197 0197, com funcionamento 24 horas por dia. Clientes da concessionária Iguá Saneamento (na Barra da Tijuca, Jacarepaguá e entorno) podem ligar para o número 0800 400 0504. Já os consumidores das regiões atendidas pela Rio+Saneamento (Zona Oeste) têm à disposição o canal 0800 400 0561.
Para solicitar o serviço de pipa ou registrar reclamação formal por atraso injustificado, o consumidor deve informar o endereço exato, um ponto de referência e o número de matrícula do imóvel que consta na conta. Caso a concessionária não atenda no prazo prometido, é possível acionar a Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa) pelo telefone da ouvidoria: 0800 026 8555.
Foto: Agenda do Poder














