À frente do Ilê Asé D’Oluaiyè Ni Oyá, ialorixá reafirma a importância da preservação das tradições afro-brasileiras e celebra uma trajetória de 38 anos de história, espiritualidade e fortalecimento coletivo
A força da ancestralidade, a devoção aos orixás e a valorização das tradições religiosas afro-brasileiras marcaram uma celebração especial realizada no dia 24 de outubro de 2026, no Ilê Asé D’Oluaiyè Ni Oyá, no Rio de Janeiro. Sob a liderança espiritual da ialorixá e escritora Mãe Márcia Marçal, a cerimônia foi dedicada à realeza de Oyá e Xangô, reunindo integrantes da comunidade religiosa em um momento de fé, emoção e reverência ao sagrado.
Reconhecida por sua atuação religiosa e pela defesa da preservação dos saberes ancestrais, Mãe Márcia Marçal representa uma liderança feminina que contribui para a continuidade do Candomblé e para o fortalecimento da identidade cultural afro-brasileira. Filha de Obaluaê, a sacerdotisa está à frente de uma casa religiosa que carrega 38 anos de história, construída por meio da dedicação, da resistência e do compromisso com a espiritualidade.
A celebração de outubro foi marcada por indumentárias tradicionais, cânticos, manifestações de devoção e uma ornamentação que evidenciou a riqueza simbólica dos rituais. Os registros fotográficos revelam a participação da comunidade religiosa em uma cerimônia que uniu diferentes gerações em torno da tradição e do respeito aos orixás.
Fé, memória e resistência: uma história construída coletivamente
Ao compartilhar os registros da celebração em suas redes sociais, Mãe Márcia Marçal destacou a emoção de revisitar a trajetória de sua comunidade religiosa, desde os primeiros passos até a consolidação de uma história construída ao longo de décadas.
“Sempre falo que a roda de Xangô é um momento em que viajo no tempo e lembro da casa simples onde começamos. Depois dessa memória, as imagens aceleram, lembro dos formatos e das páginas virando nessa história até chegar aqui”, escreveu a ialorixá.
A declaração traduz o significado de uma caminhada que ultrapassa os limites da prática religiosa. Para a sacerdotisa, cada conquista representa o resultado de uma construção coletiva, sustentada pela união, pela perseverança e pelo respeito à ancestralidade.
“A certeza de que não se ganha nada sozinho e de que só conseguimos ser felizes se o coletivo progredir. Somos de luta, somos de resistência e não vamos recuar”, afirmou.
O protagonismo feminino na preservação das tradições afro-brasileiras
A trajetória de Mãe Márcia Marçal também evidencia a importância das mulheres negras na manutenção e transmissão dos conhecimentos religiosos de matriz africana.
Como ialorixá, escritora e liderança espiritual, sua atuação contribui para dar visibilidade ao papel das sacerdotisas na preservação de práticas, valores e ensinamentos transmitidos entre gerações.
Em um cenário no qual as religiões afro-brasileiras ainda enfrentam manifestações de preconceito e intolerância, a continuidade de casas tradicionais representa uma importante expressão de resistência cultural e religiosa.
A presença de Mãe Márcia nas redes sociais amplia essa visibilidade. Com mais de 135 mil seguidores no Instagram, a sacerdotisa compartilha momentos de sua trajetória, celebrações e reflexões sobre a espiritualidade, aproximando diferentes públicos do universo das tradições afro-brasileiras.
Oyá e Xangô: símbolos de força, justiça e transformação
Na tradição do Candomblé, Oyá, também conhecida como Iansã, está associada aos ventos, às tempestades, à coragem e às transformações. Xangô, por sua vez, é reverenciado como orixá da justiça, do trovão e do equilíbrio.
A celebração dedicada aos dois orixás reforçou valores presentes na trajetória da comunidade religiosa, especialmente a coragem diante das dificuldades, o compromisso com a coletividade e a importância da continuidade dos ensinamentos ancestrais.
Ao encerrar sua mensagem sobre a cerimônia, Mãe Márcia destacou a força espiritual de Oyá como inspiração para superar os desafios da vida.
“Oyá nos dá essa força para enfrentar todos os obstáculos da nossa vida”, declarou.
Mais do que uma celebração religiosa, o encontro de 24 de outubro simbolizou a continuidade de um legado construído com fé, dedicação e resistência. Uma história que encontra na liderança de Mãe Márcia Marçal e na união














