A dona de casa Elza Hell, de 58 anos, morreu após passar quase um mês internada depois de ser baleada pelo ex-genro. Sua filha, Fabrícia Hell, de 33 anos, também morreu vítima dos disparos efetuados na frente do próprio filho de 5 anos.
Ataque da família ocorreu durante busca de criança na casa do ex-companheiro
O crime aconteceu no município de Itaguaçu, no Espírito Santo. Mãe e filha tinham ido até o endereço de Carlos Roberto Lickteneld, de 36 anos, para buscar a criança de 5 anos. Fabrícia e Carlos Roberto estavam separados, e o encontro tinha como objetivo apenas pegar o menino para passar o dia com a mãe.
Segundo a Polícia Civil do Estado do Espírito Santo, Carlos Roberto não aceitava o término da relação. No momento em que as duas chegaram para buscar o menino, o homem sacou uma arma e atirou contra a ex-companheira e a ex-sogra. O crime aconteceu no dia em que Elza comemorava aniversário de 58 anos, diante dos olhos da criança de apenas cinco anos de idade.
Fabrícia Hell foi atingida com um tiro na cabeça e morreu logo após o atentado, em 23 de setembro. Já Elza Hell foi socorrida em estado gravíssimo para uma unidade hospitalar da região, onde permaneceu internada em tratamento intensivo por semanas, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos e teve a morte confirmada pela equipe médica nesta sexta-feira.
O que já se sabe sobre a apuração policial
Após atingir a ex-companheira e a mãe dela, Carlos Roberto Lickteneld atirou contra a própria cabeça. Ele chegou a ser socorrido com vida por equipes de resgate e encaminhado sob escolta ao mesmo hospital regional em que as vítimas foram atendidas.
O homem permaneceu internado sob cuidados médicos intensivos, mas morreu cinco dias após a tentativa de suicídio. A Polícia Civil do Estado do Espírito Santo instaurou inquérito para registrar os depoimentos de testemunhas e concluir os laudos periciais da arma de fogo e do local da ocorrência.
Como o autor dos disparos faleceu, a legislação penal brasileira prevê a extinção da punibilidade do acusado após a juntada da certidão de óbito aos autos. O menino de 5 anos, que presenciou todo o ataque contra a mãe e a avó, ficou sob a guarda e os cuidados de familiares próximos e deve receber acompanhamento psicológico e social.
O que fazer se você foi vítima ou presenciou agressão
Casos de violência doméstica exigem medidas imediatas para evitar desfechos fatais. Qualquer mulher que sofra ameaças, agressões verbais ou físicas por parte de cônjuge, companheiro ou namorado tem direito a proteção integral do Estado.
A vítima deve procurar a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher mais próxima ou qualquer distrito policial da localidade. É fundamental registrar o Boletim de Ocorrência e solicitar formalmente as Medidas Protetivas de Urgência, que obrigam o agressor a manter distância física e impedem contato por qualquer meio.
Para solicitar medidas protetivas, a mulher não precisa comparecer acompanhada por advogado. Basta apresentar um documento de identidade com foto, comprovante de residência e relatar os fatos ocorridos, informando eventuais testemunhas, mensagens, gravações ou registros médicos de lesões corporais anteriores.
Como denunciar e buscar atendimento de emergência
A denúncia de violência contra a mulher pode ser feita por qualquer pessoa que veja, escute ou saiba de situações de perigo, de maneira absolutamente anônima. Vizinhos, parentes e testemunhas têm papel central para evitar mortes.
- Central de Atendimento à Mulher: Disque 180. O canal funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, é gratuito e atende chamadas de qualquer lugar do território nacional, fornecendo orientação e encaminhamento a delegacias e abrigos.
- Polícia Militar em flagrante ou emergência: Disque 190. O acionamento imediato deve ser feito quando a agressão estiver acontecendo ou na iminência de um ataque físico.
- Disque Denúncia: Caso você tenha informações sobre armas ilegais, paradeiro de agressores ou ameaças continuadas no Rio de Janeiro, ligue para o número 2253-1177, com sigilo total garantido por lei.
O apoio da rede pública de assistência social e de órgãos jurídicos, como a Defensoria Pública, também está à disposição para regularizar a guarda de menores, pedidos de pensão e suporte psicológico a familiares de vítimas.















