O lutador condenado Gabriel Rodrigues recebeu pena de 45 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato brutal de sua ex-companheira, Martha Duarte de Oliveira. O crime ocorreu em setembro do ano passado, em Sepetiba, na Zona Oeste do Rio, e foi cometido diante da filha do casal, que na época tinha apenas dois anos de idade.
De acordo com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), o feminicídio foi praticado com extrema crueldade e motivado por ciúme e sentimento de posse. O agressor descumpriu medidas protetivas impostas pela Justiça, invadiu a casa da vítima sem autorização e a atacou de forma covarde. Além disso, o processo apontou que ele estrangulou Martha e desferiu diversos golpes no rosto da vítima.
A sentença foi proferida pela juíza Tula Corrêa de Mello, do Conselho de Sentença do III Tribunal do Júri da Capital. Segundo a magistrada, Gabriel agiu movido por motivo torpe, incapaz de aceitar o fim do relacionamento e a perda de controle sobre a vida da ex-companheira. “O crime foi praticado por motivo torpe, pois o acusado ceifou a vida da sua ex-companheira, motivado por não admitir o fato de não mais ter o controle sobre os atos e decisões da vítima, sobretudo no que diz respeito à guarda compartilhada do filho comum do casal”, destacou a juíza na decisão.
A magistrada também ressaltou que o réu agiu para impossibilitar a defesa de Martha. A mulher foi surpreendida em sua própria residência e sofreu agressões intensas e desproporcionais. A brutalidade do ato e o cenário no qual ele ocorreu — diante da filha pequena — foram elementos determinantes para que a pena fosse fixada no patamar máximo.
Além da pena de prisão, Gabriel Rodrigues foi condenado ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 300 mil à família de Martha. Ele também perdeu o direito à guarda e qualquer relação familiar com o filho que teve com a vítima. O réu não poderá recorrer em liberdade e já está custodiado no sistema prisional.
O caso ganhou ampla repercussão na época do crime, não apenas pela violência empregada, mas também pelo histórico de ameaças e agressões sofridas por Martha, que buscava proteção por meio de medidas judiciais. A tragédia reacende o debate sobre a efetividade das medidas protetivas e a necessidade de respostas mais rápidas do sistema de Justiça para casos de violência doméstica.
Organizações que atuam na defesa dos direitos das mulheres voltaram a cobrar ações mais firmes de prevenção e acolhimento. Para especialistas, o feminicídio de Martha representa mais um retrato doloroso da persistente cultura de violência de gênero no Brasil.
A condenação de Gabriel Rodrigues é vista como um marco importante no combate ao feminicídio e reforça a mensagem de que crimes dessa natureza não devem passar impunes. Familiares e amigos da vítima esperam que a decisão traga um pouco de alívio diante de tanta dor e ajude a evitar novos casos como este.














