O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda colocar o vice-presidente Geraldo Alckmin no comando do Ministério da Fazenda caso vença o segundo turno. A medida busca acenar ao eleitor de centro e acalmar o mercado financeiro.
A articulação ocorre após o senador Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno na frente da disputa pelo Palácio do Planalto. A ideia é dar um sinal claro de responsabilidade com as contas públicas para convencer eleitores indecisos que temem o aumento de gastos governamentais.
Plano prevê Geraldo Alckmin acumulando a vice-presidência e a chefia da economia
Segundo interlocutores que acompanham as conversas de perto, a proposta em debate faria com que Geraldo Alckmin mantivesse o cargo de vice-presidente da República e acumulasse a cadeira máxima da economia a partir do próximo ano. A articulação ainda passa por conversas internas no governo federal e não teve resposta oficial da Presidência da República até o momento.
Geraldo Alckmin governou o estado de São Paulo por quatro vezes e já chefiou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio no atual governo. Ele é visto por empresários como uma voz moderada, com capacidade de diálogo com setores da indústria, do agronegócio e do comércio. Em 2022, o nome de Alckmin chegou a ser cogitado para a mesma função, mas Fernando Haddad acabou escolhido para gerenciar a pasta.
O movimento ganha força após a surpresa das urnas no último domingo. Flávio Bolsonaro avançou ao segundo turno com votação superior ao que indicavam as pesquisas eleitorais, impulsionando também uma bancada forte no Congresso Nacional. Esse cenário levou investidores a projetarem um cenário de maior pressão sobre o governo atual caso ele não indique reformas fiscais mais duras.
O que muda no bolso de quem trabalha e pega condução?
Quando o assunto é o Ministério da Fazenda, a vida do trabalhador que pega trem na Central do Brasil ou ônibus na Baixada Fluminense é diretamente afetada. O ministro da Fazenda decide o rumo dos impostos, dos reajustes do salário mínimo e do controle da inflação que bate nas prateleiras dos supermercados.
A indicação de um nome visto como mais tradicional nos gastos públicos visa conter a disparada do dólar e estabilizar os preços de itens básicos, como alimentos e combustíveis. Hoje, a dívida pública bruta do Brasil atinge cerca de 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Mesmo com o desemprego baixo e o aumento recente na renda média, o endividamento do país é apontado por economistas como um risco para a alta dos juros bancários.
Como a campanha pretende atrair o voto de centro?
A estratégia desenhada pelo núcleo da campanha petista tem como foco os eleitores que não querem votar no grupo político de Jair Bolsonaro, mas desaprovam a condução econômica atual. Em declarações logo após a apuração, Lula destacou a trajetória do seu vice para rebater críticas sobre equilíbrio financeiro.
O presidente afirmou publicamente que nem ele nem Alckmin precisam de lições sobre responsabilidade fiscal, citando os mandatos anteriores de ambos. A aposta é que a imagem de Alckmin ajude a desfazer a resistência da classe média urbana e do empresariado, mostrando que o governo estaria disposto a segurar despesas para equilibrar o orçamento federal.
O que dizem os órgãos oficiais e próximos passos
Até a última atualização desta matéria, o Palácio do Planalto não havia emitido nota formal confirmando o convite para a troca de ministros. A campanha de Flávio Bolsonaro também acompanha as movimentações e mantém o discurso focado em privatizações, corte de tributos e redução da máquina pública.
Nas próximas semanas de campanha de segundo turno, a pauta econômica deve dominar o horário eleitoral gratuito na televisão e no rádio. O leitor pode acompanhar o calendário da votação e tirar dúvidas sobre local de votação e regularidade do título diretamente pelo aplicativo e-Título ou no portal do Tribunal Superior Eleitoral (tse.jus.br), além do telefone do Disque Eleitor pelo número 148.














