O ex-zagueiro Leandro Castán entrou na Justiça do Rio de Janeiro para cobrar cerca de R$ 3,2 milhões do Club de Regatas Vasco da Gama. O pedido tenta incluir o valor na recuperação judicial do clube de São Cristóvão.
A cobrança milionária de Leandro Castán contra o Vasco na Justiça
A solicitação foi protocolada por meio de uma habilitação retardatária de crédito na 1ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Esse tipo de medida serve para incluir pendências financeiras que ficaram de fora da relação oficial de credores enviada pela diretoria cruz-maltina no plano de pagamento coletivo.
O montante total exigido na ação é de R$ 3.260.503,09. Desse total apurado, R$ 2.975.428,72 pertencem diretamente à empresa Castan Assessoria Esportiva, que gerenciava os direitos de imagem do atleta. O restante da quantia, que soma R$ 285.074,37, corresponde aos honorários do advogado João Henrique Chiminazzo, responsável pela defesa jurídica do ex-defensor no processo.
A pendência teve início ainda em janeiro de 2022, data em que o atleta encerrou o seu vínculo de trabalho com a equipe de São Januário. Naquela época, a agremiação formalizou um acordo承认ando um débito de R$ 2 milhões, que deveria ser quitado em 66 prestações mensais. Apesar do compromisso assinado em cartório, o time pagou somente duas cotas e suspendeu os depósitos seguintes.
De onde surgiu a dívida milionária cobrada pelo ex-capitão?
O contrato previa que a falta de pagamento das parcelas acarretaria a cobrança imediata de todo o saldo restante. O termo também estabelecia a aplicação de multas rescisórias, juros contratuais e atualização monetária sobre os meses em atraso. Por causa dessas penalidades, o valor original de R$ 2 milhões subiu para os atuais R$ 3,2 milhões cobrados judicialmente.
O ex-zagueiro já havia iniciado uma cobrança de execução extrajudicial no início de 2025 para tentar reaver os valores em atraso. Contudo, a emissão das certidões obrigatórias pelo cartório sofreu uma lentidão incomum e levou quase 15 meses para ser concluída pelos órgãos forenses. Essa demora burocrática fez com que o nome da empresa do atleta não aparecesse na lista inicial de credores do plano de recuperação.
Agora, a defesa do ex-jogador pede que o juiz responsável pelo caso reconheça a pendência financeira formalmente. Caso a solicitação seja aceita, os valores entram na fila ordenada de pagamentos sob as regras da recuperação judicial do clube carioca, sem risco de penhora imediata de receitas do dia a dia.
Como funciona o plano de recuperação judicial do clube carioca?
A recuperação judicial é uma ferramenta legal utilizada por empresas e associações civis para renegociar débitos antigos de forma ordenada e evitar a falência. Com esse mecanismo, as contas bancárias da instituição ficam protegidas de bloqueios judiciais repentinos, permitindo que a folha de pagamento e os custos operacionais continuem funcionando normalmente.
As dívidas acumuladas ao longo dos anos são reunidas em classes distintas de credores, como causas trabalhistas, créditos com garantia real e dívidas comuns com prestadores de serviço. O clube propõe descontos nos saldos e prazos estendidos de quitação, que precisam ser aprovados em assembleia geral pelos credores antes de virarem lei no processo.
Para a torcida vascaína que frequenta os jogos em São Januário e consome produtos oficiais, o andamento desse processo é vital. A estabilidade jurídica garante que as receitas de bilheteria e direitos de transmissão de televisão não sofram arrestos de surpresa, mantendo os salários dos atuais jogadores em dia durante a temporada.
Qual foi a trajetória de Leandro Castán com a camisa vascaína?
Leandro Castán chegou ao estádio de São Januário na metade da temporada de 2018 e vestiu a camisa do clube até o começo de 2022. No total, o zagueiro entrou em campo em 145 partidas oficiais e exerceu o papel de capitão do elenco profissional durante a maior parte da sua estadia na Zona Norte do Rio.
Com a braçadeira de líder, o atleta participou das campanhas dos títulos da Taça Guanabara em 2019 e da Taça Rio no ano de 2021. Ele também viveu momentos difíceis com o grupo, incluindo a queda para a Série B do Campeonato Brasileiro em 2020. Após a saída amigável do Vasco em 2022, o zagueiro atuou brevemente pelo Guarani de Campinas antes de encerrar sua carreira nos gramados em julho daquele mesmo ano.
Como o torcedor e os credores podem acompanhar o andamento processual?
Qualquer cidadão interessado em fiscalizar processos públicos que envolvem grandes instituições desportivas do estado pode consultar os autos pelo portal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, no endereço eletrônico oficial do tribunal. O processo de recuperação tramita publicamente no Foro Central, localizado na Avenida Erasmo Braga, número 115, no Centro do Rio.
As consultas processuais ficam disponíveis durante 24 horas por dia por meio do sistema de processo eletrônico da corte fluminense. Os credores que possuem pendências a receber também contam com o canal direto do administrador judicial nomeado pelo magistrado da 1ª Vara Empresarial para protocolar dúvidas, certidões e comprovantes bancários pertinentes aos acordos em aberto.














