Classificado como de Altíssima Periculosidade, “Kadá” assumiu a liderança do tráfico de drogas no Cavalão após o falecimento de seu irmão “Robinho”, ocorrido em abril de 1995.
Nesta quinta-feira (01), o Disque Denúncia (2253-1177) divulga um cartaz visando auxiliar as investigações da Divisão de Buscas e Recapturas (RECAP) da Secretaria de Estado de Polícia Penal (SEPPEN/RJ), buscando informações que possam levar à captura do criminoso Reinaldo Medeiros Ignácio, conhecido como “Kadá”, “Playboy” ou “Bolha Assassina”, de 61 anos, que é considerado de “Altíssima Periculosidade” pelo sistema prisional. Ele já é considerado um foragido da Justiça.
“Kadá” é identificado pelas autoridades como o chefe do tráfico de drogas no Morro do Cavalão, localizado em Icaraí, Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Membro da Organização Narcoterrorista Comando Vermelho (CV), ele comanda a área há várias décadas. Segundo as investigações que culminaram na Operação Pé de Pano, desencadeada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro em agosto de 2018, o tráfico de drogas na região do Morro do Cavalão se encontra em uma das áreas mais valorizadas de Niterói. O tráfico na comunidade é gerido pela mesma família desde o início dos anos 90. Naquele tempo, era liderado pelo traficante Robson Medeiros Ignácio, conhecido como “Robinho”, que foi morto em um confronto com policiais civis em 1995. Desde então, Kadá, o irmão de Robson, assumiu o comando do crime na comunidade, totalizando 31 anos à frente da organização na região.
De acordo com uma denúncia do Ministério Público de 2016, as drogas comercializadas na Comunidade do Cavalão incluem maconha, haxixe, cocaína e crack, também referidas como “R” e “Ronaldinho” pelos traficantes. Os membros envolvidos no tráfico, sob a liderança de “Kadá”, desempenham suas funções de maneira coordenada, trabalhando em total harmonia de ações e objetivos, sob um esquema de divisão de tarefas, no qual cada membro ou grupo é responsável por funções específicas dentro da organização. As funções são distribuídas em seis núcleos organizacionais, sendo o primeiro relacionado ao chefe do tráfico, o “frente”, e seus familiares; o segundo composto por “gerentes”; o terceiro referente aos fornecedores e intermediários; o quarto ligado aos “vapores”; o quinto relacionado às “atividades” e “aviões”; e o sexto, que abrange os traficantes encarcerados que, mesmo detidos, continuam a exercer a atividade de tráfico junto aos demais membros do Morro do Cavalão.
Ainda conforme a denúncia, os principais “gerentes” são incumbidos de guardar armas, munições e entorpecentes; supervisionar a preparação das drogas; distribuir as cargas de entorpecentes e coletar e desembolsar a propina. Os que ocupam as posições mais elevadas da cadeia hierárquica da associação criminosa (chefe, “primeira dama”, “frente”, “gerentes” e familiares mais próximos) mantém comunicação constante. A partir da análise de conversas interceptadas, constatou-se que sempre que um traficante da Comunidade do Cavalão era preso, os integrantes do grupo imediatamente se comunicavam para avaliar o impacto da prisão e, se necessário, oferecer suporte na contratação de advogados e outras questões.
“Kadá” foi detido pela primeira vez em setembro de 1995 por tráfico de drogas e recebeu liberdade condicional em setembro de 1998. Foi preso novamente em maio de 2001, sendo liberado através de Habeas Corpus (HC) em junho do mesmo ano. Em setembro de 2009, foi novamente preso pela 82ª DP (Maricá), e mesmo após ser transferido para o Presídio Federal de Mossoró (RN) em 2009, continuou a administrar o tráfico no Cavalão. Ele estabeleceu uma estrutura em que seus parentes o visitavam na prisão e repassavam suas ordens para a liderança operacional na favela.
Em 2025, ele progrediu do regime semiaberto para o aberto, recebendo essa progressão com a Prisão Albergue Domiciliar (PAD), conforme decisão proferida em 03/09/2025, mas a efetivação não ocorreu devido à sua ausência na Central de Monitoramento Eletrônico (CME) para instalação da tornozeleira eletrônica. A Justiça informou que, quando cumpriu o alvará de soltura, o apenado foi informado sobre as condições de progressão e cumprimento da pena em regime aberto, especialmente sobre a obrigação de se apresentar à CME dentro de 5 dias para a instalação da tornozeleira, e foi registrado que “Kadá” não compareceu para a instalação do dispositivo de monitoramento eletrônico. Além disso, a Justiça observou que a falta de comparecimento evidencia a clara intenção de evitar a aplicação da lei penal.
Diante de tais circunstâncias, existem quatro mandados de prisão em aberto contra Reinado Medeiros Ignácio, aguardando cumprimento, sendo dois pela Vara de Execuções Penais (VEP), um pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Niterói e um último pela 4ª Vara Criminal de Niterói, todos relacionados a crimes de Quadrilha ou Bando, Roubo Majorado, Corrupção de Menores – ECA, Associação para a Produção e Tráfico e Condutas Afins / Crimes de Tráfico Ilícito e Uso Indevido de Drogas / Crimes Previsto na Legislação Extravagante e tráfico de drogas.
Atualmente, três pessoas da hierarquia do Morro do Cavalão também possuem mandados de prisão em aberto. Eles incluem o filho de “Kadá”, Reinaldo Medeiros Ignácio Junior (Reinaldinho), que está sendo procurado com dois mandados de prisão em aberto e é considerado uma das principais lideranças do tráfico na região. Investigações da Polícia Civil e denúncias do MPRJ (como na Operação Pé de Pano) mostram que “Reinaldinho” ocupa um alto cargo na organização criminosa familiar que controla o tráfico local, repassando ordens e gerenciando pontos de venda de entorpecentes. As apurações indicaram que o tráfico no Morro do Cavalão movimenta centenas de milhares de reais por semana.
As outras duas pessoas proeminentes no tráfico de drogas no Cavalão são: Jaqueline Tavares Medeiros, apelidada de “Jak”, de 45 anos, prima de “Kadá”. Sua principal função na organização criminosa é auxiliar o “frente” do tráfico, estabelecendo a comunicação entre ele e outros traficantes. Ela também transmite ordens de seu parceiro, um dos principais gerentes do tráfico, para os demais membros. Jaqueline é responsável por receber e administrar parte do dinheiro do tráfico, ocultando os valores através de depósitos bancários realizados em diversas contas.
A outra figura é Ana Mary Tavares Medeiros, de 46 anos, irmã de Jaqueline. Sua função na organização consiste em alertar os integrantes do tráfico sobre a presença de policiais na área, além de ajudar a irmã a guardar os valores adquiridos com as atividades ilícitas do grupo. Ela está ciente das atividades dos traficantes, inclusive dos valores que são pagos aos membros da organização. Tanto Jaqueline quanto Ana Mary têm mandados de prisão em aberto, aguardando cumprimento. As duas também possuem registros no site dos Procurados do Disque Denúncia.
A colaboração da comunidade é fundamental para auxiliar as forças de segurança na captura de criminosos que estão em liberdade de forma ilegal. Se você observar atividades suspeitas ou souber o paradeiro de alguém que desrespeita ordens judiciais ou locais de venda de drogas, pode fazer uma denúncia de forma anônima e segura. Para isso, utilize o Disque Denúncia do Rio de Janeiro pelo telefone 2253-1177. O serviço está disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana, garantindo sigilo total sobre a identidade do denunciante.
Além disso, é possível enviar informações pelo aplicativo do Disque Denúncia RJ ou pelo WhatsApp Anonimizado /DD: (021) 2253-1177, uma técnica que oculta detalhes que podem identificar a pessoa que faz a denúncia.














