Justiça revoga prisão de Vitor Belarmino, acusado de atropelar fisioterapeuta

Vitor Vieira Belarmino

A Justiça revoga prisão de Vitor Belarmino, influenciador que estava foragido desde julho de 2024 após atropelar o fisioterapeuta Fábio Toshiro Kikuta na Avenida Lúcio Costa, no Recreio dos Bandeirantes. O caso ganhou repercussão nacional após a confirmação de que a vítima havia se casado poucas horas antes do acidente. A decisão judicial foi publicada nesta sexta-feira (30), apenas 11 dias após Belarmino se entregar à polícia.

A juíza Alessandra da Rocha Lima Roidis decidiu pela substituição da prisão preventiva por medidas cautelares. Entre as obrigações impostas estão o comparecimento mensal à Justiça, a proibição de dirigir veículos, entrega da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), recolhimento do passaporte e a proibição de frequentar casas noturnas entre 22h e 6h. O influenciador também não poderá manter contato com a viúva de Fábio, testemunhas ou parentes das vítimas, nem se ausentar do município por mais de 30 dias sem autorização.

Vitor responde pelos crimes de homicídio simples, omissão de socorro e fuga do local do acidente. A defesa alegou que não existem indícios atuais de risco à instrução do processo, argumento rejeitado pelo Ministério Público, que lembrou que o acusado permaneceu foragido por quase toda a fase de investigação. Ainda assim, a magistrada entendeu que a prisão não se justifica neste momento.

Decisão levou em conta primariedade e ausência de histórico grave

No despacho, a juíza mencionou que Belarmino é réu primário e possui bons antecedentes. Embora a CNH dele tenha sido apontada com mais de 90 anotações, a magistrada destacou que ele só foi reconhecido como responsável em 11 delas, e nenhuma envolvia condução perigosa em alta velocidade.

Para a juíza, os motivos que levaram à prisão preventiva em setembro de 2024 não se sustentam mais. Ela também rebateu a possibilidade de que o processo esteja sendo influenciado pela repercussão nas redes sociais. “Não se pode deturpar o requisito da garantia da ordem pública como forma de acolher o clamor público oriundo das redes sociais”, declarou.

Laudo confirma alta velocidade

Conforme a Polícia Civil, Vitor Belarmino dirigia entre 109 km/h e 160 km/h no momento do atropelamento. A velocidade máxima permitida na via era de 70 km/h. A investigação concluiu que, se ele estivesse respeitando o limite, teria conseguido frear o veículo e evitar o impacto.

O carro de luxo dirigido por Belarmino era uma BMW branca. No momento do acidente, ele levava seis mulheres. Uma delas relatou à polícia que o grupo estava celebrando seu aniversário em um condomínio próximo e que Vitor decidiu passear pela orla. Minutos depois, o influenciador teria desviado de outro carro e atingido o fisioterapeuta, que atravessava a via com a esposa. Em seguida, ele deixou as mulheres perto do local e fugiu com o veículo.

Influencer negou bebida e culpou insegurança

Em entrevista à TV Record no início de abril, Vitor negou ter consumido álcool e afirmou que circulava em alta velocidade por medo de assaltos. Ele também disse que o casal atravessou em um “ponto cego” enquanto ele ultrapassava uma motocicleta. “Todo mundo ali anda acima do limite. O índice de assalto é grande naquela região”, disse o influenciador na ocasião.

A defesa de Vitor Belarmino afirmou que a revogação da prisão é um avanço na condução do processo. A viúva do fisioterapeuta, no entanto, ainda não se manifestou publicamente após a decisão.

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