A Justiça do Estado do Rio de Janeiro manteve a prisão preventiva do ex-delegado da Polícia Civil Maurício Demétrio Afonso Alves. A decisão confirmou a permanência dele no sistema penitenciário enquanto responde a ações judiciais por envolvimento em esquemas ilegais de cobrança de propina que operavam na Região Serrana fluminense, especialmente no comércio de Petrópolis.
Manutenção da prisão e desdobramentos judiciais do ex-delegado
Maurício Demétrio continua detido após nova negativa da Justiça para a concessão de liberdade provisória. O ex-servidor público é investigado e responde a processos criminais decorrentes de investigações que apuram a cobrança sistemática de vantagens indevidas contra comerciantes locais. A denúncia aponta que as exigências financeiras eram feitas para blindar lojistas contra operações policiais ou para permitir o funcionamento irregular de estabelecimentos.
A decisão judicial considerou que os motivos que justificaram a ordem original de prisão permanecem inalterados. Para o tribunal, a liberdade do acusado neste estágio da instrução criminal poderia representar risco à ordem pública e à colheita de provas, além de intimidar possíveis testemunhas que prestam depoimento nos tribunais.
As apurações que levaram à prisão do ex-policial ganharam força por meio de ações coordenadas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Ao longo dos procedimentos investigativos, foram levantados indícios de lavagem de dinheiro, uso de intermediários e formação de uma rede que atuava dentro e fora das dependências policiais.
O que já se sabe sobre o processo e a investigação
O caso teve início a partir de relatos e denúncias sobre coação no polo de confecções e no comércio popular de Petrópolis. De acordo com as investigações conduzidas pelas autoridades competentes, comerciantes da região eram pressionados a pagar quantias regulares sob ameaça de apreensões de mercadorias e de autuações forjadas.
Maurício Demétrio foi detido em operação especial e, desde então, tem acumulado decisões desfavoráveis nos pedidos de habeas corpus apresentados pela defesa. Os advogados do ex-delegado sustentam formalmente a inexistência dos requisitos necessários para a manutenção da prisão preventiva e afirmam a inocência do réu ao longo de todo o processo judicial.
O Ministério Público, por sua vez, afirma que a estrutura utilizada no esquema era complexa e extrapolava a cidade de Petrópolis. Os promotores argumentam que a retenção do acusado em unidade prisional é fundamental para garantir que todas as etapas do julgamento transcorram sem interferências externas ou ocultação de documentos.
Quem responde por isso e como atuam os órgãos fiscalizadores
O processo contra o ex-delegado tramita nas varas criminais com acompanhamento direto de grupos especializados de atuação contra o crime organizado do Ministério Público fluminense. Na esfera administrativa, a Corregedoria-Geral de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro instaurou os procedimentos que culminaram na perda das prerrogativas da função pública.
O Governo do Estado do Rio de Janeiro reforçou que desvios de conduta cometidos por servidores das forças de segurança são alvos de apurações internas regulares. Casos com indícios de corrupção são encaminhados aos órgãos judiciários para julgamento na esfera penal comum.
A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária informou que o detento permanece custodiado em unidade compatível com as regras de segurança previstas para ex-integrantes das polícias estaduais, garantindo a integridade física e o cumprimento das ordens judiciais emitidas.
Como denunciar extorsão e desvios de conduta
Quem tiver informações sobre cobrança de valores ilegais, extorsão ou atuação irregular de agentes públicos no Estado do Rio de Janeiro pode formalizar denúncias sem precisar se identificar. Os canais são mantidos de forma permanente para atendimento à população:
- Disque Denúncia do Rio: Telefone (21) 2253-1177, com atendimento 24 horas por dia e garantia absoluta de anonimato. Também é possível registrar relatos pelo aplicativo oficial e pelo site do órgão.
- Corregedoria-Geral de Polícia Civil (CGPOL): Recebe denúncias contra policiais civis pelo telefone (21) 2202-0337 ou presencialmente na sede, localizada na Rua da Relação, número 42, Centro, Rio de Janeiro, em dias úteis das 9h às 18h.
- Ouvidoria do Ministério Público do Rio de Janeiro: O contato direto pode ser feito pelo número 127 ou por meio do formulário eletrônico no portal oficial do MPRJ.
O que fazer se você foi vítima de extorsão
Cidadãos ou comerciantes que passarem por exigências indevidas de dinheiro ou ameaças devem formalizar a comunicação oficial do fato perante as autoridades para resguardar seus direitos. O procedimento mais seguro exige algumas medidas práticas:
- Evite o pagamento imediato e busque o apoio de órgãos de controle antes de realizar qualquer transferência ou entrega de valores.
- Guarde registros, mensagens de texto, números de telefone, horários e cópias de documentos que comprovem o contato dos suspeitos.
- Procure uma delegacia de polícia distrital para a lavratura do boletim de ocorrência presencial. O registro também pode ser aberto inicialmente pela internet por meio do portal da Delegacia Online da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.
- Em casos envolvendo servidores públicos, informe detalhadamente as características do local e eventuais viaturas ou identificações exibidas, anexando as informações na representação enviada ao Ministério Público.
Foto: Agenda do Poder















