A Justiça Federal manteve nesta sexta-feira (16/10) a prisão preventiva do delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil do Rio. A decisão ocorreu logo após audiência de custódia, mantendo a determinação inicial expedida pelo Supremo Tribunal Federal.
Esquema bilionário com rede de combustíveis na Baixada e capital
Amim foi detido pela Polícia Federal durante a oitava fase da Operação Unha e Carne. O mandado de prisão preventiva partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação mirou desvios e lavagem de dinheiro que somam cifras históricas no estado fluminense.
Segundo a investigação da Polícia Federal, o grupo atuava por meio de uma organização criminosa armada. Essa quadrilha utilizava 96 postos de combustíveis espalhados pela Região Metropolitana do Rio de Janeiro para ocultar recursos de origem ilícita. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelaram que o esquema girou R$ 7,6 bilhões em seis anos.
Junto ao ex-secretário, os agentes federais prenderam o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil). Até o encerramento desta apuração, a situação da audiência de custódia de Canella não havia sido atualizada pelas autoridades judiciais. Outros quatro policiais civis também foram levados sob custódia na mesma ofensiva.
Entre os agentes da Polícia Civil detidos estão os inspetores Christiano Gaspar Fernandes, Giovanni Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido popularmente como Pablo Russo. A ordem judicial determinou o bloqueio financeiro e a interrupção das atividades comerciais de 112 pessoas jurídicas, em grande parte comércios de revenda de combustíveis.
O que já se sabe sobre a apuração
A fase atual da Operação Unha e Carne nasceu de desdobramentos iniciados em julho deste ano, quando ocorreu a sexta etapa da operação policial. Naquela ocasião, mandados de busca e apreensão já haviam vasculhado residências e escritórios ligados tanto a Marcus Amim quanto ao parlamentar eleito Márcio Canella.
Os relatórios do Coaf serviram de base para sustentar os pedidos das ordens de prisão preventiva. Conforme os autos da Polícia Federal, os suspeitos podem responder por organização criminosa armada, lavagem de capitais, corrupção ativa e passiva, vazamento de segredo funcional, cartelização e comercialização irregular de combustíveis.
As investigações correm em segredo de justiça no âmbito do STF. Os órgãos federais seguem analisando documentos apreendidos para mapear eventuais novas ramificações institucionais. Os advogados dos suspeitos ainda não tiveram novos pedidos de liberdade apreciados pelo plenário do tribunal.
Quem responde por isso
O inquérito principal está sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal, em Brasília. A execução dos mandados e a coordenação das diligências de campo ficam a cargo exclusivo da Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro.
A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro não comanda a investigação dos próprios agentes e do ex-gestor da pasta. O controle das ordens e a manutenção das prisões são fiscalizados pela Justiça Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, responsável pela realização das audiências de custódia na capital.
O Ministério Público Federal acompanha as decisões para avaliar a manutenção das cautelares. A Secretaria de Estado de Polícia Civil informou que procedimentos administrativos internos da Corregedoria acompanham os desdobramentos criminais sobre os policiais envolvidos.
Como denunciar desvios e postos irregulares
O cidadão fluminense prejudicado por cartel ou venda clandestina de combustível pode encaminhar relatos de forma anônima aos órgãos de fiscalização do Rio de Janeiro.
- Disque Denúncia do Rio: Ligue para o telefone (21) 2253-1177 ou utilize o WhatsApp pelo número (21) 2253-1177. O serviço funciona 24 horas por dia com garantia de sigilo completo.
- Polícia Federal: Informações sobre crimes federais, corrupção e lavagem de capitais podem ser repassadas pela plataforma Comunica PF (comunica.pf.gov.br) ou na sede regional, situada na Avenida Rodrigues Alves, 1, bairro da Saúde, Zona Portuária do Rio.
- Procon-RJ: Denúncias relativas a preços combinados ou combustível adulterado podem ser registradas no telefone 151, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.
Foto: Diario do Rio (raspagem)














