Justiça de Goiás Condena Policiais Militares por Morte de Advogado Davi Sebba Após 14 Anos de Luta Por Justiça

Após 14 anos, Justiça de Goiás condena PMs por morte do advogado Davi Sebba em Goiânia

A Justiça de Goiás proferiu nesta sexta-feira, 2 de outubro, a sentença para os três policiais militares acusados pela morte do advogado Davi Sebba Ramalho, ocorrida em 5 de julho de 2012. O caso, que chocou a sociedade goiana, chega a uma conclusão após uma longa jornada de investigações e processos judiciais.

O julgamento, realizado no Tribunal do Júri em Goiânia, durou mais de 10 horas e contou com a presença de familiares, advogados e representantes da OAB-GO. A decisão judicial marca um ponto final para a espera por justiça, iniciada há mais de uma década.

Davi Sebba tinha 38 anos quando foi tragicamente morto no estacionamento de um supermercado. Naquela noite, ele buscava itens para a chegada de seu primeiro filho, que nasceu horas após a morte do pai. A notícia da condenação traz um alívio, mas não apaga a dor da perda.

Condenações e Absolvições no Tribunal do Júri

O policial Jonathas Atenevir Jordão, apontado como o autor do disparo, foi condenado por homicídio qualificado, recebendo uma pena de 12 anos de prisão. Ele foi absolvido da acusação de porte de arma.

Edinailton Pereira de Souza, acusado de participação no crime, foi sentenciado por homicídio simples e porte de arma, com pena fixada em 10 anos de reclusão.

Já Luiz Frederico de Oliveira, também processado por participação, foi absolvido tanto da acusação de homicídio quanto do crime de porte de arma, sendo liberado das acusações.

Controvérsias na Abordagem e Longa Espera por Justiça

A dinâmica da abordagem policial que levou à morte de Davi Sebba foi um dos pontos centrais do julgamento. Na época, os policiais alegaram que o advogado teria reagido a uma abordagem, fazendo um movimento em direção a uma arma. Contudo, a investigação policial apresentou uma versão distinta.

A perícia indicou que Davi Sebba estava com as mãos no volante no momento em que foi atingido. Questionamentos sobre a arma encontrada no veículo e possíveis alterações na cena do crime também foram levantados durante a apuração.

O processo tramitou por 14 anos, passando por diversas instâncias e recursos. Em 2017, Jonathas Atenevir Jordão foi pronunciado, enquanto Edinailton e Luiz Frederico foram inicialmente impronunciados. Recursos posteriores levaram à revisão das decisões.

Em 2022, o Tribunal de Justiça de Goiás reconheceu a qualificadora relacionada ao recurso que dificultou a defesa da vítima. Em 2023, uma nova decisão determinou que os três policiais fossem submetidos ao Tribunal do Júri, culminando na sentença proferida nesta sexta-feira.

O Papel da OAB-GO no Processo

A Ordem dos Advogados do Brasil Seção Goiás (OAB-GO) acompanhou o julgamento de perto, por meio do Sistema de Defesa das Prerrogativas e da Comissão Especial de Defesa do Tribunal do Júri. A entidade ressaltou a importância do respeito aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório durante todo o processo.

A condenação dos policiais militares por um crime ocorrido há mais de 14 anos representa um marco na busca por justiça e responsabilização, encerrando um capítulo doloroso na história de Goiás e na vida da família de Davi Sebba.

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