Jovem negro morto com 27 tiros em SP: família acusa PM de racismo e contesta versão de legítima defesa

Família de jovem negro morto com 27 tiros em SP acusa polícia de racismo e contesta versão oficial

A família de Gustavo Munis de Santana, jovem negro de 23 anos que morreu após ser alvejado com 27 tiros em Moema, zona sul de São Paulo, acredita que o racismo motivou a ação da Polícia Militar. A advogada Ana Facillia, que representa os familiares, contesta a versão policial de legítima defesa e aponta um histórico de abordagens violentas contra Gustavo.

Segundo a advogada, Gustavo não portava arma e tinha um celular em mãos no momento da abordagem. A família alega que ele não possuía antecedentes criminais e que a versão da PM, de que o jovem teria tentado sacar uma arma, não condiz com a realidade. A morte de Gustavo levanta sérias questões sobre a conduta policial e o racismo estrutural no Brasil.

O caso, registrado no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), segue em investigação. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que todos os procedimentos serão apurados e que desvios de conduta serão punidos com rigor. As armas dos policiais e o celular da vítima foram apreendidos para perícia, assim como as imagens das câmeras corporais dos agentes.

Versão policial e contestações da família

A Polícia Militar informou, em nota, que Gustavo fez “menção de sacar uma arma” durante a abordagem, o que teria levado os policiais a reagir para “reprimir a injusta agressão”. No entanto, a família e sua representante legal negam veementemente essa versão. A advogada ressaltou que Gustavo tinha depressão e fazia tratamento, mas nunca apresentou surtos psicóticos ou tentou suicídio, desmentindo a hipótese inicial da PM sobre uma suposta tentativa de suicídio.

O boletim de ocorrência diverge em alguns pontos da nota inicial da PM. Enquanto a nota menciona que o jovem teria saltado de uma ponte, o documento não traz essa informação. O chamado inicial citava um homem “transtornado” e ameaçando se ferir. Após a chegada dos policiais, Gustavo teria corrido e, segundo as câmeras corporais, estendeu os braços em direção à rua.

Proporção de disparos e local do crime

Os policiais efetuaram 45 disparos, sendo que 27 atingiram Gustavo. Apenas 4 tiros foram na região das pernas, enquanto os demais atingiram a cabeça, pescoço, tórax, braços, bacia e pelve. Na fachada do estabelecimento onde ocorreu o crime, mais de 20 marcas de tiros são visíveis na parede e no portão, e o chão apresentava manchas de sangue. Até o momento, as imagens das câmeras corporais e de segurança não foram divulgadas.

Repercussão e despedida

Gustavo foi velado e sepultado no Cemitério de Congonhas, na zona sul de São Paulo, em meio à comoção de familiares e amigos. Sua irmã, Beatriz Munis, publicou uma mensagem emocionante nas redes sociais. A empresa onde Gustavo trabalhava, um pet shop, também lamentou a perda, descrevendo-o como um jovem dedicado e querido por todos.

Os policiais envolvidos na ação foram afastados de suas atividades operacionais e um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto para apurar a conduta dos agentes. A Secretaria da Segurança Pública reafirmou o compromisso em apurar todos os fatos e punir os responsáveis, caso irregularidades sejam constatadas.

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