Inácio Cavalcante, presidente da estatal SGB, quer apurar grupo de WhatsApp com críticas à gestão

Inácio Cavalcante

O presidente do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Inácio Cavalcante, solicitou à Corregedoria da estatal a abertura de uma investigação sobre o funcionamento de um grupo de WhatsApp com aproximadamente 300 servidores, criado em 2022. O despacho interno, obtido pela reportagem, aponta que o dirigente suspeita que o grupo estaria sendo usado para discussões internas e críticas à sua gestão.

No documento, Cavalcante cita o analista de geociências Bruno Luiz Schoenwetter como responsável pela criação do grupo, nove meses antes de sua nomeação para o cargo de diretor-presidente. Segundo o texto, as mensagens compartilhadas indicariam “condutas preocupantes” durante o expediente de trabalho.

“Reconheço a legitimidade de grupos relacionados ao SGB. No entanto, os materiais anexos indicam condutas preocupantes por parte do referido funcionário público, ocorridas durante o horário de trabalho”, escreveu o presidente. Entre as condutas mencionadas estão questionamentos sobre atos administrativos sem embasamento, divulgação de informações não verificadas, incitação a posturas confrontadoras e uso do expediente para discussões alheias às atividades funcionais.

O presidente determinou que a Corregedoria verifique possíveis violações éticas e funcionais, e nomeou uma Comissão de Processo Administrativo Sancionador (PAS) para conduzir o caso. O grupo é formado pelos servidores Jean Ricardo da Silva do Nascimento, Joana Angélica Cavalcanti Pinheiro e Alexandre Moraes dos Santos, além da representante da associação dos empregados, Priscila Souza Silva, conforme previsto em acordo coletivo.

Nos prints anexados ao processo, obtidos pela coluna, aparecem mensagens críticas à gestão de Inácio Cavalcante. Em uma delas, o servidor Bruno Schoenwetter sugere que o dirigente teria ambições políticas e planejava iniciar o principal projeto do SGB, o levantamento aerogeofísico do subsolo brasileiro, pelo estado do Tocantins. Em outra, o funcionário afirma nunca ter visto “um gestor com tanto potencial para acabar com o SGB”.

Controvérsias e críticas anteriores

Ex-marido da senadora Eliziane Gama (PSD), que o indicou para o cargo à época em que eram casados, Cavalcante enfrenta críticas de associações de servidores desde sua nomeação. Antes de sua posse, três entidades chegaram a enviar uma carta ao governo federal pedindo que sua indicação fosse rejeitada, alegando falta de formação na área de geociências e histórico de processos por crimes ambientais, falsificação de documentos, sonegação de impostos e agressão doméstica.

Na última semana, documentos revelaram notas fiscais emitidas em nome dos filhos de Inácio Cavalcante durante viagens custeadas pela estatal, com hospedagens em Florianópolis e Maceió. As despesas incluíam refeições e consumo em hotéis pagos com verba pública. Após a repercussão, o presidente do SGB ressarciu os cofres da empresa em cerca de R$ 9,2 mil.

O Serviço Geológico do Brasil informou, em nota, que as notas fiscais foram emitidas equivocadamente em nome de terceiros e que o reembolso foi feito de forma voluntária. A estatal reforçou ainda que o processo administrativo aberto busca apenas verificar eventuais desvios funcionais de servidores e não restringe a liberdade de expressão dos funcionários.

O caso segue sob apuração interna e deve ser acompanhado pela Corregedoria do órgão nas próximas semanas.

Limpatech