Hospital Salvalus sob investigação: histórico de condenações e mortes suspeitas de bebês em São Paulo.
O Hospital Salvalus, localizado na zona leste de São Paulo, está no centro de um inquérito policial devido a uma série de mortes de bebês, sob forte suspeita de infecção hospitalar. A unidade de saúde, que integra a rede HapVida, já enfrentou um processo judicial anterior, culminando em condenação pela morte de uma menina de apenas 4 anos de idade.
A criança faleceu em outubro de 2024, vítima de choque séptico, quadro semelhante ao de outros bebês que perderam a vida na mesma unidade neste ano, conforme revelado pela reportagem do Metrópoles. A investigação policial busca determinar as causas dessas mortes e se há alguma ligação entre elas.
A condenação do Hospital Salvalus em primeira instância determinou o pagamento de R$ 120 mil para cada um dos pais da menina, além do reembolso de despesas funerárias e o pagamento de pensão mensal. A decisão foi mantida em segundo grau pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), embora ainda caiba recurso. A Hapvida NotreDame Intermédica S.A. e o Hospital Bosque da Saúde também foram condenados solidariamente no caso da criança de 4 anos. A informação foi divulgada pelo Metrópoles.
Erro médico e falha na prestação de serviços apontados pela Justiça
O processo referente à morte da menina de 4 anos concluiu pela existência de erro médico. A perícia indicou manejo inadequado da paciente, demora no encaminhamento cirúrgico, atrasos em exames diagnósticos, inconsistências medicamentosas e na liberação de resultados laboratoriais. As irregularidades envolveram equipes médica, de enfermagem, administrativa e de laboratório.
Em sua defesa, a Hapvida NotreDame Intermédica S.A. argumentou que cumpriu suas obrigações, prestando atendimento contínuo e exames compatíveis com os sintomas da criança. A operadora de saúde também sustentou que a morte foi decorrente de condições prévias delicadas da paciente, e não de negligência.
No entanto, a Justiça não acatou os argumentos. O relator do caso em segunda instância afirmou que houve um claro defeito na prestação dos serviços médicos, contribuindo para o óbito precoce. O dano moral aos genitores foi reconhecido, considerando o sofrimento persistente pela perda da filha.
Polícia Civil investiga mortes de bebês no Hospital Salvalus
A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para apurar as mortes de bebês ocorridas no Hospital Salvalus ao longo deste ano. Pelo menos seis boletins de ocorrência foram registrados no 8º Distrito Policial (Brás) e outros dois em delegacias distintas. A reportagem teve acesso a 16 certidões de óbito de crianças ocorridas na unidade neste ano.
Uma advogada que representa os pais de algumas vítimas informou estar em contato com 36 mães que perderam seus filhos no hospital nos últimos meses. O Hospital Salvalus integra a rede HapVida, e, segundo a assistente jurídica Eduarda Fragnan Gomes, todos os casos de maior gravidade são encaminhados para lá, o que pode indicar um número de óbitos significativamente maior.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que os casos foram comunicados recentemente e que a autoridade policial está realizando diligências, incluindo a oitiva de profissionais de saúde e testemunhas, além da análise de prontuários médicos para esclarecer as causas das mortes.
Hospital Salvalus se defende e nega ligação entre os casos
Em nota ao Metrópoles, o Hospital Salvalus declarou tratar os relatos com a máxima seriedade, mas ressaltou que situações clínicas distintas não podem ser atribuídas a uma mesma causa sem comprovação técnica. O hospital afirmou que a unidade recebe crianças com condições graves, como prematuridade extrema, malformações e quadros infecciosos que exigem cuidados especializados.
A instituição informou que mais de mil crianças foram atendidas este ano, com cuidados individualizados. As avaliações iniciais apontam históricos clínicos distintos, sem identificação de uma origem infecciosa comum. O hospital frisou que alegações não podem ser generalizadas e que afirmações sem o devido respaldo técnico podem aumentar a angústia das famílias.
O Salvalus acrescentou que, até o momento, não recebeu notificação formal sobre os procedimentos investigados e se colocou à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários, ressaltando a importância de não generalizar conclusões sem base técnica.













